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3I/ATLAS: como observar o cometa durante aproximação máxima da Terra?

Cometa chega ao ponto mais próximo da Terra nesta sexta-feira (19), mas a uma distância ainda impossível de se ver a olho nu

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3I/ATLAS – A contagem regressiva para a máxima aproximação do cometa 3I/ATLAS à Terra, prevista para esta sexta-feira (19), segue a todo vapor. Embora o momento seja aguardado com expectativa, sua passagem ocorrerá a uma distância segura de aproximadamente 270 milhões de quilômetros, descartando qualquer possibilidade de colisão ou risco para o nosso planeta.

No entanto, quem esperava observá-lo a olho nu ou com equipamentos simples pode se decepcionar. Astrônomos indicam que será necessário utilizar telescópios amadores de médio a grande porte — com abertura superior a 150 ou 200 milímetros — para visualizá-lo com clareza. Equipamentos dessa qualidade podem ser encontrados a partir de R$ 2.500.

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O cometa, que reapareceu no céu no início de dezembro depois de um período oculto atrás do Sol, poderá ser localizado nas madrugadas próximas à data de maior aproximação. O melhor horário para a observação é antes do amanhecer, voltando os instrumentos para o leste. Para aumentar as chances, recomenda-se buscar locais com o mínimo de interferência de poluição luminosa.

Imagens captadas recentemente revelam que o 3I/ATLAS está se tornando progressivamente mais ativo e brilhante à medida que se aproxima do Sol, aumentando o interesse dos entusiastas pela sua passagem.

Desde que foi identificado pela primeira vez, o objeto passou a ser acompanhado de perto por telescópios espaciais e observatórios terrestres. Os dados coletados vêm sendo analisados por cientistas ao redor do mundo, interessados em desvendar as características do corpo celeste, que se destaca por ser apenas o terceiro visitante interestelar já registrado no Sistema Solar.

O que se sabe sobre o 3I/ATLAS?

Ao longo dos últimos meses, desde a observação inicial feita por astrônomos do Sistema de Último Alerta para Impacto de Asteroides com a Terra (ATLAS, na sigla em inglês) — iniciativa financiada pela NASA voltada ao monitoramento de objetos potencialmente perigosos —, diversas descobertas chamaram a atenção dos pesquisadores. Entre elas:

* Estimativa de idade superior a sete bilhões de anos, o que o tornaria mais antigo que o próprio Sistema Solar;
* Liberação de níquel atômico, um comportamento incomum para cometas e que levanta hipóteses sobre sua origem;
* Nuvem gasosa ao redor do núcleo com cerca de 350 mil km de extensão, contendo dióxido de carbono;
* Formação de uma anticauda;
* Entrada em um “modo turbo”, com aceleração que não é explicada apenas pela gravidade;
* Emissão de sinal de rádio;
* Possível presença de “vulcões de gelo” ativos em sua superfície;
* Detecção de sinais de raios X pela Agência Espacial Europeia (ESA), a primeira emissão desse tipo já observada em um objeto interestelar;
* Previsão de que, em março do próximo ano, ao passar por Júpiter, sua trajetória possa sofrer uma leve alteração devido à influência gravitacional do planeta.

O que os especialistas querem ver no 3I/ATLAS?

Em um exercício hipotético, a plataforma Time And Date perguntou a especialistas quais descobertas eles considerariam mais relevantes nos dados do 3I/ATLAS. “Eu gostaria de ver a moeda da vida, que é o fósforo”, afirmou Thomas H. Puzia, doutor em astrofísica e professor do Instituto de Astrofísica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Chile, em Santiago.

Puzia, que acompanha o cometa ao lado de alunos de pós-graduação, explica que o fósforo é essencial para o DNA, para os processos de armazenamento e transferência de energia nas células e para outros elementos fundamentais à vida como ela é conhecida. “Imagine confirmar os ingredientes da vida em um visitante interestelar de bilhões de anos. Isso aumentaria drasticamente as chances de que a vida complexa tenha surgido muito antes na história da Via Láctea e, por extensão, do Universo.”

O Olhar Digital fez a mesma pergunta a alguns dos principais nomes da astronomia profissional e amadora no Brasil.

Maria Elisabeth Zucolotto, mestre em geologia e doutora em engenharia de materiais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda parcialmente com a avaliação de Puzia. “A presença de fósforo sozinho não indicaria nada, mas sim a combinação específica de elementos conhecida como CHONPS (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre) em estados químicos biologicamente relevantes organofosfatos, ou mesmo aminoácidos simples, os ‘blocos de construção’ da vida que vemos em meteoritos carbonáceos e cometas do nosso Sistema Solar”.

Integrante do grupo de divulgação científica e pesquisa de meteoros “As Meteoríticas”, ela destaca que esse achado reforçaria a ideia de que a química responsável pela origem da vida não é exclusiva da Terra. “O fósforo puro é um elemento comum que se forma no interior estelar e que está presente em todos os meteoritos ou em forma de fosfetos ou fosfatos”, explica.

Amanda Tosi, mestre e doutora em geologia pela UFRJ e também integrante do grupo, chama atenção para a quantidade elevada de níquel no 3I/ATLAS, que supera até mesmo a de ferro. “O cometa tem uma quantidade de níquel muito diferente, bem acima do que a gente normalmente espera. Essa relação também aparece na quantidade de metano, cianeto e outros compostos, que é diferente do que costumamos encontrar nos cometas do nosso Sistema Solar”.

Para ela, o grande atrativo de um objeto interestelar está no potencial de ampliar o conhecimento sobre a formação de outros sistemas planetários. “O que mais chama a atenção e torna tão interessante o estudo de um cometa vindo de fora do Sistema Solar é a possibilidade de observar e entender como outros sistemas planetários se formam e como produzem corpos como cometas, asteroides e planetas”.

Apaixonado por astronomia desde a infância, o astrônomo amador Marcelo Domingues, integrante do Clube de Astronomia de Brasília e da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), também aposta em uma química reveladora. “Para mim, a descoberta mais empolgante seria encontrar no 3I/ATLAS uma química orgânica complexa ou assinaturas isotópicas muito diferentes das do Sistema Solar. Isso mostraria que os ingredientes da vida e da água se formam naturalmente em outros sistemas planetários, transformando o cometa em uma cápsula do tempo de outra região da galáxia”.

Já para o físico, engenheiro e astrônomo amador Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR, em Oliveira (MG), a maior revelação seria identificar o sistema estelar de onde o cometa se originou. “Aí, poderíamos comparar a composição da estrela, a evolução da estrela, com a composição do 3I/ATLAS e entender melhor a sua formação”.

Jacques, que integra a Bramon, o Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG) e a Rede de Astronomia Observacional (REA), ressalta, porém, a dificuldade desse feito. “O problema é que retroagir a órbita dele para descobrir a estrela de origem, por onde ele passou, é uma tarefa quase que impossível”.

Responsável pelo Observatório Heller & Jung, em Taquara (RS), o pós-doutor em Engenharia e diretor regional da Bramon no Sul do país, Carlos Fernando Jung, compartilha da mesma curiosidade sobre a origem do objeto.

“O 3I/ATLAS é um cometa excepcional porque não segue o padrão clássico dos cometas. Ele é dominado por CO₂, possui química orgânica incomum e apresenta enriquecimento metálico. Sua estrutura é densa e resistente, com baixíssima erosão ao longo de bilhões de anos. Essas características indicam que pode ser um fragmento de crosta planetária, e não um núcleo cometário típico”, explica Jung. “Assim, ele é um fóssil interestelar que revela a diversidade química e geológica de outros sistemas planetários”.

Por fim, Gabriel Hickel, astrônomo formado pela UFRJ e doutor em astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), observa que, até agora, o 3I/ATLAS apresenta comportamentos compatíveis com o esperado para um cometa interestelar, como a abundância de dióxido de carbono e um nível de atividade semelhante ao de cometas do Sistema Solar. Ainda assim, ele aponta possíveis surpresas.

Uma delas seria a identificação de “uma molécula nunca antes detectada no material ejetado por um cometa”. Hickel também menciona eventos incomuns de liberação de material. “Outra coisa que ainda pode ocorrer com o 3I/ATLAS são fenômenos anômalos de ejeção de material, a exemplo do que ocorre com o cometa do Sistema Solar, 17P/Holmes, que produz ejeções repentinas e esfero-simétricas, aumentando em centenas de milhares de vezes a luz refletida do Sol”, cita. “Ou até mesmo um processo de fragmentação parcial ou total”.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/EyeEm)

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