Riscos online – Discurso de ódio (35%), golpes virtuais (29%) e cyberbullying (23%) estão entre as situações de risco mais relatadas por adolescentes no ambiente digital, segundo dados da décima edição da Pesquisa Global de Segurança Online, divulgada nesta terça-feira (10) pela Microsoft.
O estudo avalia a relação de diferentes faixas etárias com o uso da tecnologia e da internet em 15 países – incluindo o Brasil – e ouviu quase 15 mil pessoas entre adolescentes de 13 a 17 anos e adultos.
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O levantamento aponta um novo aumento na exposição de adolescentes a experiências negativas online, indicando que ameaças como fraudes, assédio e conteúdos de ódio continuam presentes no cotidiano digital dos jovens.
Apesar do cenário preocupante, a pesquisa identifica um alto nível de resiliência. De acordo com os dados, 72% dos adolescentes afirmaram ter conversado com alguém após enfrentar algum tipo de risco na internet — comportamento que cresce pelo segundo ano consecutivo.
Outro ponto de destaque é a percepção sobre inteligência artificial: 91% dos participantes demonstram preocupação com possíveis impactos negativos associados ao uso da IA, sinalizando atenção crescente aos efeitos éticos, sociais e de segurança ligados às novas tecnologias.
Dados do Brasil
No recorte específico do Brasil, a pesquisa traz os seguintes números:
• 63% dos entrevistados relataram ter enfrentado ao menos um risco online relevante nos últimos 12 meses;
• As três categorias de risco mais frequentes no país foram discurso de ódio (36%), violência gráfica e sangrenta do mundo real (28%) e golpes e fraudes digitais (27%);
• Entre os adolescentes, a principal preocupação é o cyberbullying (36%), enquanto as demais faixas etárias demonstram maior receio em relação a golpes e fraudes online;
• 81% dos jovens que passaram por alguma situação de risco afirmaram ter conversado com alguém ou feito uma denúncia;
• 90% dos adolescentes brasileiros adotaram ações defensivas, como bloquear perfis, encerrar contas ou tomar medidas semelhantes.
“Ano após ano, a pesquisa contou uma história sobre a evolução dos riscos de segurança online e o impacto real delas. Em 2026, o chamado à ação é mais urgente do que nunca – a menos que a indústria possa oferecer experiências seguras e adequadas a cada faixa etária, os jovens correm o risco de perder o acesso à tecnologia”, diz Courtney Gregoire, vice-presidente e diretora de Segurança Digital da Microsoft.
Outras frentes
Além do levantamento principal, a Microsoft firmou parceria com a Cyberlite para analisar de que forma adolescentes entre 13 e 17 anos estão interagindo com companheiros baseados em inteligência artificial.
“Por meio de oficinas de co-design com estudantes na Índia e em Singapura, estamos capturando as próprias perspectivas dos jovens sobre os benefícios, riscos e dimensões emocionais do uso da IA — insights que irão informar diretamente recursos educacionais para adolescentes, pais e educadores”, prossegue Gregoire.
“As primeiras descobertas do primeiro workshop em dezembro de 2025 mostram que os jovens valorizam a IA como um espaço sem julgamentos, ao mesmo tempo em que reconhecem as desvantagens: riscos para privacidade, excesso de dependência e erosão do pensamento crítico são maiores para eles do que conselhos ruins”, afirma.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)