Burnout – O crescimento acelerado dos afastamentos por burnout no Brasil transformou a síndrome do esgotamento profissional em um problema que vai além da saúde individual e passou a impactar diretamente as contas da Previdência Social. Dados do Ministério da Previdência Social compilados pela Folha de S. Paulo mostram que os auxílios-doença concedidos por esgotamento aumentaram 493% entre 2021 e 2024, pressionando o orçamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Apenas no primeiro semestre de 2025, os registros já representavam mais de 70% de todo o volume contabilizado no ano anterior. Especialistas alertam que os números oficiais podem subestimar a dimensão real do problema. O burnout é de diagnóstico complexo e frequentemente aparece associado ou confundido com outras doenças. Além disso, trabalhadores informais, que não contribuem para o INSS, ficam fora das estatísticas.
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O avanço dos transtornos mentais também se reflete no total de auxílios-doença: em 2024, mais de 472 mil afastamentos foram motivados por problemas de saúde mental, tendência que continuou em alta ao longo de 2025. O aumento dos casos ocorre em um contexto marcado por longas jornadas de trabalho, hiperconexão, expansão do home office e precarização das relações laborais. A pandemia de COVID-19 intensificou esses fatores, criando um ambiente mais propício ao adoecimento psíquico.
Diante desse cenário, o governo reforçou em 2023 o reconhecimento do burnout como doença ocupacional e passou a exigir, a partir de 2024, o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. No entanto, após pressão do setor empresarial, as multas por descumprimento dessas exigências foram adiadas para 2026. As despesas com auxílios-doença vêm crescendo acima da média dos demais benefícios previdenciários. Entre 2022 e 2024, os gastos saltaram de R$ 18,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões. Especialistas apontaram à Folha que afastamentos por transtornos mentais costumam ser mais longos, o que amplia o impacto financeiro para a Previdência e para a economia.
Para o trabalhador, as consequências incluem perda de renda, instabilidade financeira e dificuldade para arcar com tratamentos, já que o valor do benefício geralmente é inferior ao salário. O avanço do burnout também aparece no Judiciário. Processos trabalhistas envolvendo a síndrome crescem ano após ano, com mais de 20 mil menções ao termo registradas em 2025 e um passivo estimado em R$ 3,63 bilhões para as empresas.
Advogados afirmam que esses casos decorrem de exposições prolongadas a ambientes de trabalho adoecedores e reforçam que o burnout deve ser encarado como um problema estrutural, e não como fragilidade individual. De acordo com a apuração, pesquisadores e ex-gestores da Previdência destacam que o aumento dos afastamentos por transtornos mentais é uma tendência de longa duração, observada desde o início dos anos 2000 e agravada pelas recentes transformações do mercado de trabalho.
Setores historicamente pressionados por metas, como o bancário, já apresentavam índices elevados de adoecimento psíquico muito antes da pandemia de COVID-19. Para ter acesso ao auxílio-doença, o trabalhador precisa apresentar atestado médico com a Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovar o vínculo entre o adoecimento e o trabalho. A solicitação pode ser feita pela Central 135 ou pelo aplicativo ‘Meu INSS’.
Enquanto isso, especialistas defendem a adoção de políticas mais robustas de prevenção e a criação de ambientes laborais que reduzam a sobrecarga, sob o risco de o burnout continuar avançando e ampliando seus impactos sociais, econômicos e humanos.
(Com informações de Notícias Brasil)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)