Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Notícias Afastamentos por burnout disparam no Brasil; aumento de 500%
Notícias

Afastamentos por burnout disparam no Brasil; aumento de 500%

Síndrome do esgotamento profissional avança impulsionada por jornadas longas e precarização do trabalho, com reflexos diretos na saúde pública, na Previdência e no Judiciário

166

Burnout – O crescimento acelerado dos afastamentos por burnout no Brasil transformou a síndrome do esgotamento profissional em um problema que vai além da saúde individual e passou a impactar diretamente as contas da Previdência Social. Dados do Ministério da Previdência Social compilados pela Folha de S. Paulo mostram que os auxílios-doença concedidos por esgotamento aumentaram 493% entre 2021 e 2024, pressionando o orçamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Apenas no primeiro semestre de 2025, os registros já representavam mais de 70% de todo o volume contabilizado no ano anterior. Especialistas alertam que os números oficiais podem subestimar a dimensão real do problema. O burnout é de diagnóstico complexo e frequentemente aparece associado ou confundido com outras doenças. Além disso, trabalhadores informais, que não contribuem para o INSS, ficam fora das estatísticas.

LEIA: Meta bloqueia meio milhão de contas de menores de 16 anos na Austrália

O avanço dos transtornos mentais também se reflete no total de auxílios-doença: em 2024, mais de 472 mil afastamentos foram motivados por problemas de saúde mental, tendência que continuou em alta ao longo de 2025. O aumento dos casos ocorre em um contexto marcado por longas jornadas de trabalho, hiperconexão, expansão do home office e precarização das relações laborais. A pandemia de COVID-19 intensificou esses fatores, criando um ambiente mais propício ao adoecimento psíquico.

Diante desse cenário, o governo reforçou em 2023 o reconhecimento do burnout como doença ocupacional e passou a exigir, a partir de 2024, o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. No entanto, após pressão do setor empresarial, as multas por descumprimento dessas exigências foram adiadas para 2026. As despesas com auxílios-doença vêm crescendo acima da média dos demais benefícios previdenciários. Entre 2022 e 2024, os gastos saltaram de R$ 18,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões. Especialistas apontaram à Folha que afastamentos por transtornos mentais costumam ser mais longos, o que amplia o impacto financeiro para a Previdência e para a economia.

Para o trabalhador, as consequências incluem perda de renda, instabilidade financeira e dificuldade para arcar com tratamentos, já que o valor do benefício geralmente é inferior ao salário. O avanço do burnout também aparece no Judiciário. Processos trabalhistas envolvendo a síndrome crescem ano após ano, com mais de 20 mil menções ao termo registradas em 2025 e um passivo estimado em R$ 3,63 bilhões para as empresas.

Advogados afirmam que esses casos decorrem de exposições prolongadas a ambientes de trabalho adoecedores e reforçam que o burnout deve ser encarado como um problema estrutural, e não como fragilidade individual. De acordo com a apuração, pesquisadores e ex-gestores da Previdência destacam que o aumento dos afastamentos por transtornos mentais é uma tendência de longa duração, observada desde o início dos anos 2000 e agravada pelas recentes transformações do mercado de trabalho.

Setores historicamente pressionados por metas, como o bancário, já apresentavam índices elevados de adoecimento psíquico muito antes da pandemia de COVID-19. Para ter acesso ao auxílio-doença, o trabalhador precisa apresentar atestado médico com a Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovar o vínculo entre o adoecimento e o trabalho. A solicitação pode ser feita pela Central 135 ou pelo aplicativo ‘Meu INSS’.

Enquanto isso, especialistas defendem a adoção de políticas mais robustas de prevenção e a criação de ambientes laborais que reduzam a sobrecarga, sob o risco de o burnout continuar avançando e ampliando seus impactos sociais, econômicos e humanos.

(Com informações de Notícias Brasil)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)

Posts relacionados

China faz aposta estratégica em energia eólica e assume protagonismo global

Em um ano, país asiático instalou mais capacidade de geração de energia...

Jovens ocupam quase todas as 112 mil vagas de emprego abertas em janeiro

Caged aponta que jovens até 24 anos preencheram 111,8 mil vagas abertas...

Computadores de ‘baixo custo’ podem sumir até 2028 com escassez de RAM

Demanda por memórias voltadas a data centers de IA pressiona preços, reduz...

Fim da escala 6×1 acaba com atraso histórico, diz presidente do Sebrae

Para Décio Lima, mudança deve ser compreendida para além dos custos imediatos...