Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected]
Home Destaque “AI Slop” avança no Youtube e vídeos gerados por IA inundam a plataforma
DestaqueTI

“AI Slop” avança no Youtube e vídeos gerados por IA inundam a plataforma

Estudo aponta que até um terço do conteúdo exibido a novos usuários no Shorts é composto por vídeos automatizados

10

AI Slop – O YouTube vive um desafio cada vez mais evidente com o chamado AI Slop, uma proliferação de vídeos produzidos quase inteiramente por inteligência artificial, pensados menos para informar ou entreter e mais para capturar cliques, visualizações e assinaturas em escala industrial. Esse tipo de conteúdo já ocupa uma parcela relevante da plataforma e traz preocupações sobre o futuro da economia de criadores.

De acordo com um estudo recente da Kapwing, empresa especializada em ferramentas de edição digital, até 33% do feed exibido a novos usuários do YouTube Shorts é composto por AI Slop ou por um formato semelhante, conhecido como brainrot – vídeos visualmente chamativos, altamente repetitivos e pobres em conteúdo, projetados para manter a atenção constante sem oferecer profundidade.

LEIA: Software brasileiro de gestão hospitalar é vendido por R$ 1 bilhão

Para analisar o papel do algoritmo, a Kapwing criou uma conta completamente nova no YouTube, sem qualquer histórico de uso ou preferências registradas. A ideia era observar o funcionamento da plataforma em um estado considerado “neutro”. O resultado chamou atenção: entre os primeiros 500 vídeos exibidos no Shorts, 104 (21%) foram classificados como AI Slop.

“Isso sugere que o YouTube está bombardeando novos usuários com vídeos gerados por IA”, explicou à WIRED en Español Taylor Tomita, especialista sênior da Kapwing. “Se existem filtros, eles não estão detectando uma quantidade massiva desse conteúdo.”

O que antes se manifestava como spam em caixas de e-mail agora ganha forma audiovisual, impulsionado por sistemas de recomendação que privilegiam volume, retenção e repetição.

O que é o AI Slop

A Kapwing define AI Slop como “conteúdo descuidado, de baixa qualidade, gerado por aplicações automáticas e distribuído para acumular visualizações, assinaturas ou influenciar opiniões políticas”. A distinção entre um uso legítimo da inteligência artificial e o Slop não está na tecnologia em si, mas na intenção por trás de sua aplicação.

Canais como Bandar Apna Dost ou Pouty Frenchie, de Singapura, reproduzem fórmulas visuais simples – animais, personagens fictícios e narrações artificiais – em escala industrial, sem sinais claros de autoria ou intervenção humana.

Um negócio milionário baseado em mediocridade

O relatório também analisou os 100 canais em tendência em diversos países e chegou a uma constatação incômoda: a produção de conteúdo automatizado e descartável se transformou em um negócio altamente rentável.

O canal indiano Bandar Apna Dost lidera em visualizações globais, ultrapassando 2 bilhões de views. Seus vídeos giram em torno de um macaco criado por IA, colocado em situações dramáticas ou cômicas. A estimativa é que o canal arrecade cerca de US$ 4,25 milhões por ano apenas com publicidade.

A Espanha aparece como o país com maior número de assinantes em canais de AI Slop, somando mais de 20 milhões. Um exemplo é o Imperio de Jesus, que utiliza versões digitais de figuras religiosas em cenários absurdos. Já o canal com mais inscritos do mundo é o norte-americano Cuentos Facinantes, que explora estéticas de franquias como Dragon Ball por meio de processos totalmente automatizados.

Embora o consumo desse tipo de conteúdo seja global, a produção em larga escala se concentra em alguns polos específicos. O Paquistão lidera o ranking: 20 dos 100 canais em tendência no país produzem exclusivamente AI Slop. Em outras palavras, um quinto do conteúdo considerado “mais relevante” pelo algoritmo é totalmente automatizado.

Países da América Latina também aparecem entre os dez primeiros colocados, como Brasil, Colômbia e Peru, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da economia criativa na região.

Enquanto o YouTube promove a inteligência artificial como um instrumento de democratização da criação, a realidade observada no feed aponta para um movimento inverso. Os canais que mais faturam são, em muitos casos, aqueles que aprenderam a explorar o algoritmo, priorizando quantidade em detrimento da qualidade.

O problema vai além da preferência individual do público. Quando uma fatia significativa do feed é ocupada por ruído automatizado, a confiança na informação e o valor da curadoria humana se tornam cada vez mais raros. Há também efeitos psicológicos e sociais: a exposição constante a imagens geradas por IA tende a normalizar o artificial, tornando difusa a fronteira entre o real e o fabricado.

No fim das contas, o AI Slop não é apenas “conteúdo ruim”. Ele revela um ecossistema em que o algoritmo atua como cúmplice da saturação — e onde a criatividade humana precisa lutar para não ser engolida pelo excesso de volume.

(Com informações de Giz Modo)
(Foto: Reprodução/Freepik/user15327819)

Posts relacionados

China solicita aval à ONU para colocar quase 200 mil satélites em órbita

Solicitações envolvem projetos que, no papel, podem transformar o equilíbrio de poder...

Pele artificial promete tornar robôs mais seguros ao “sentir” danos e toques

Inovação amplia a percepção física das máquinas e melhora a convivência com...

EUA impõem tarifa de 25% sobre chips de IA alegando segurança nacional

Medida atinge chips como o H200, da Nvidia, e o MI325X, da...

Imagens de visualização única são usadas para aplicar golpe no WhatsApp

Criminosos enviam arquivos com práticas ilegais e usam confirmação de leitura para...