Produção Nacional da Vacina – O cenário de combate às arboviroses no Brasil ganhou um reforço estratégico nesta segunda-feira (04). O Instituto Butantan recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a produção nacional da Butantan-Chick, a primeira vacina do mundo registrada contra a chikungunya, doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
O imunizante, que já havia sido liberado para uso no país no ano passado, é fruto de uma parceria entre o instituto brasileiro e a farmacêutica francesa Valneva. Até então, a fabricação era exclusividade da empresa estrangeira. Com o novo aval regulatório, a fábrica do Butantan assume o processo em solo nacional, o que aumenta as perspectivas de inclusão da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Eficácia e Público-Alvo
Desenvolvida para o público entre 18 e 59 anos, a vacina apresentou resultados robustos em testes realizados nos Estados Unidos com cerca de 4 mil voluntários. Segundo estudo publicado no periódico científico The Lancet, liderado pela pesquisadora Martina Schneider, 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes, capazes de impedir a entrada do vírus no organismo.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, ressaltou a importância da nacionalização para a democratização do acesso:
“Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança .”
Restrições e Cuidados
Apesar do avanço, a aplicação da Butantan-Chick possui restrições importantes. O imunizante não pode ser administrado em gestantes, imunossuprimidos e imunodeficientes.
A contraindicação ocorre porque a tecnologia utiliza uma versão viva, porém enfraquecida, do vírus. Embora esse método seja eficaz para estimular a produção de células de defesa em pessoas saudáveis, ele pode gerar complicações em indivíduos com o sistema imune comprometido ou em mulheres grávidas, por precaução.
A aceleração da produção ocorre em um momento crítico. Desde fevereiro, a vacina tem sido aplicada em municípios com altos índices de infecção. No estado de São Paulo, cidades como Mirassol e Bady Bassitt figuram entre as regiões mais afetadas.
Internacionalmente, a segurança do imunizante já é chancelada por órgãos de prestígio, como a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e a European Medicines Agency (EMA), da União Europeia.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Butantan/Divulgação/Agência Brasil)