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O avanço dos HiCs: como a inteligência artificial cria super funcionários

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Inteligência artificial – O mercado de trabalho vive uma transformação acelerada impulsionada pela inteligência artificial. Se, há pouco tempo, os maiores salários estavam restritos aos pesquisadores responsáveis por desenvolver modelos de ponta, agora a valorização começa a alcançar profissionais de outras áreas que utilizam a tecnologia para ampliar significativamente sua capacidade de entrega.

O fenômeno ganhou destaque no ano passado, quando surgiram notícias de que a Meta teria oferecido pacotes salariais de até US$ 1 bilhão para pesquisadores de IA. Alguns acordos permitiriam ganhos superiores a US$ 300 milhões ao longo de quatro anos, além de bônus de contratação que chegariam a US$ 100 milhões. Os valores chamaram atenção por rivalizarem com contratos tradicionalmente associados às maiores estrelas do esporte.

LEIA: Demissões aceleram no setor de tecnologia e levantam debate sobre papel da IA

A justificativa para essa disputa era a escassez de especialistas capazes de construir sistemas de inteligência artificial de fronteira. Com apenas algumas centenas de profissionais no mundo reunindo esse conjunto de habilidades, empresas como Meta, OpenAI, Google e Anthropic passaram a competir intensamente para atraí-los.

Agora, porém, a dinâmica parece estar se expandindo para além dos laboratórios de pesquisa avançada. Um novo perfil profissional começa a ganhar espaço dentro das organizações: trabalhadores que utilizam ferramentas de IA de forma tão eficiente que conseguem realizar tarefas equivalentes às de equipes inteiras.

A estrategista de growth Elena Verna deu nome a esse fenômeno ao criar o conceito de HiC, sigla para High-Impact Individual Contributor, ou Indivíduo de Contribuição de Alto Impacto. Segundo a definição apresentada por ela, trata-se de profissionais sem subordinados diretos que conseguem entregar resultados que anteriormente exigiriam o trabalho coordenado de várias pessoas, recebendo, em contrapartida, remunerações comparáveis às de cargos de liderança.

Enquanto esse grupo passa a negociar ganhos muito acima da média do mercado, crescem também os relatos de empresas que estabelecem metas internas para reduzir entre 20% e 40% de seus quadros de funcionários com base em ganhos de eficiência proporcionados pela inteligência artificial.

O movimento remete ao conceito de destruição criativa formulado pelo economista Joseph Schumpeter, no qual novas tecnologias substituem modelos anteriores e reconfiguram setores inteiros da economia. A diferença, agora, está na velocidade com que essa transformação ocorre. De um lado, profissionais veem suas funções serem eliminadas ou reduzidas; de outro, um grupo mais restrito passa a concentrar oportunidades e remunerações excepcionais. Entre os mais afetados estão justamente os cargos de apoio e funções auxiliares que se tornam menos necessárias à medida que a automação avança.

O cenário também levanta questionamentos sobre os impactos sociais dessa nova realidade. A concentração dos ganhos em um número reduzido de trabalhadores, enquanto outros enfrentam riscos crescentes de obsolescência profissional, pode ampliar desigualdades e gerar instabilidade econômica.

Para os trabalhadores, no entanto, a principal mensagem permanece a mesma: a adaptação às ferramentas de inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais determinante para a permanência e o crescimento no mercado. Mais do que recear a substituição pela tecnologia, o desafio passa a ser compreender como utilizá-la para ampliar capacidades e produtividade.

Nesse contexto, a distinção entre os profissionais potencializados pela IA e aqueles que acabam substituídos por ela se torna cada vez mais evidente. Com a transformação já em curso, a capacidade de aprender e incorporar essas ferramentas ao trabalho cotidiano surge como uma das competências mais valiosas da nova economia.

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(Com informações de Tecmundo)

(Foto: Reprodução/Magnific/nomesart)

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