Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Destaque China impede Meta de comprar startup de IA por US$ 2 bilhões
DestaqueNotícias

China impede Meta de comprar startup de IA por US$ 2 bilhões

Órgão regulador anunciou veto à venda da empresa em nota sucinta, citando conformidade da decisão com ‘leis e regulamentos’ chineses

6

Startup de IA – A China decidiu barrar a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, avaliada em US$ 2 bilhões, sob a justificativa de risco de transferência de tecnologia para os Estados Unidos. A medida ocorre poucas semanas antes de uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping e reforça o endurecimento de Pequim sobre o setor.

O veto é visto como um sinal de alerta para empresas de tecnologia e pode gerar efeitos relevantes tanto para a Meta quanto para o equilíbrio das relações tecnológicas entre as duas potências.

LEIA: Expansão global de data centers pode aprofundar dependência no Sul Global

Decisão oficial e reação do mercado

O bloqueio foi determinado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, que anunciou o cancelamento do acordo em uma nota sucinta. “A decisão foi tomada de acordo com leis e regulamentos”, informou o órgão, sem apresentar detalhes adicionais.

Nos bastidores, a decisão intensifica a preocupação entre empresas de tecnologia chinesas, especialmente após o governo ampliar a supervisão sobre negócios envolvendo inteligência artificial.

Pressão sobre investimentos estrangeiros

Desde o anúncio da compra da Manus, em dezembro, autoridades chinesas passaram a monitorar com mais rigor empresas estratégicas do setor.

Recentemente, o governo também impôs limites à entrada de capital americano em companhias locais.

Segundo relatos, representantes do governo têm orientado empresas privadas a rejeitar investimentos dos EUA em rodadas de financiamento, salvo quando houver autorização explícita.

Alcance global da decisão

Embora a Manus tenha transferido sua sede e equipe principal para Cingapura em 2025, a China decidiu intervir mesmo assim. A dúvida inicial era se Pequim teria autoridade sobre uma transação realizada fora do país — o que acabou sendo confirmado na prática.

“O veto à operação de venda da Manus é um momento de esclarecimento” disse Ke Yan, analista de tecnologia da DZT Research, sediada em Cingapura. “A Manus foi incorporada em Cingapura, com fundadores baseados aqui, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde a entidade legal está.”

Impacto para a Meta

A decisão representa um obstáculo relevante para a Meta, que tenta ganhar terreno na corrida global por liderança em inteligência artificial, competindo com gigantes como Microsoft, Google OpenAI e Anthropic.

A aquisição da Manus era vista como estratégica para impulsionar a empresa no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma.

Incertezas sobre o desfazimento do acordo

Ainda não está claro como a Meta irá reverter a operação. Parte da equipe da Manus já havia sido transferida para escritórios da empresa em Cingapura, e investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já teriam recebido os valores do negócio.

Em nota, a Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e disse esperar uma conclusão para a investigação conduzida pelas autoridades chinesas.

Disputa geopolítica em tecnologia

O episódio ocorre em meio à crescente rivalidade entre China e Estados Unidos pela liderança em inteligência artificial. O governo de Xi Jinping tem intensificado esforços para proteger tecnologia e talentos nacionais, além de promover a confiabilidade de chips desenvolvidos no país.

Esse movimento ganhou força recentemente com o anúncio do modelo V4 da DeepSeek, que amplia a integração com semicondutores da Huawei.

“Pequim provavelmente vê esse movimento como uma retaliação justificada, como reação aos controles de exportação, restrições a investimentos e investigações sobre transferência de tecnologia conduzidas pelas autoridades americanas ao longo dos anos” disse Brian Wong, professor assistente da Universidade de Hong Kong.

Novas restrições e efeitos no mercado

O veto à venda da Manus se soma a outras medidas recentes, como a limitação imposta às chamadas “red chips” — empresas chinesas registradas no exterior — para realizarem ofertas públicas iniciais na Bolsa de Hong Kong.

A iniciativa ameaça um modelo consolidado que permitia a captação de recursos internacionais por empresas chinesas fora do país.

O objetivo central dessas ações é impedir que investidores estrangeiros, especialmente americanos, tenham acesso a setores considerados estratégicos para a segurança nacional.

Reações e histórico da Manus

Após o anúncio da aquisição, parte da comunidade acadêmica criticou a possível transferência de um ativo relevante para os Estados Unidos, temendo um efeito cascata entre startups chinesas.

Fundada em março de 2025, a Manus desenvolveu um agente de IA voltado à automação de tarefas complexas, incluindo análises financeiras do índice S&P 500 e elaboração de propostas comerciais.

Pouco depois, sua controladora, Butterfly Effect, levantou US$ 75 milhões em uma rodada liderada pela Benchmark, alcançando uma avaliação de US$ 500 milhões.

O investimento, no entanto, também chamou atenção das autoridades americanas, levando o Tesouro dos EUA a abrir uma investigação sobre possíveis violações relacionadas a tecnologias sensíveis.

(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com)

Posts relacionados

Relatório mostra avanço no emprego entre mulheres, mas estagnação na renda

Relatório da Igualdade Salarial aponta crescimento da ocupação feminina, mas revela que...

Expansão global de data centers pode aprofundar dependência no Sul Global

Países como Brasil e Argentina atraem investimentos bilionários em data centers, mas...

Chip suporta calor de 700 °C e pode revolucionar missões espaciais

Dispositivo seguiu funcionando em temperatura próxima à da superfície de Vênus e...

De sensores a ‘pets’ robôs: tecnologias auxiliam idosos que vivem sozinhos

De assistentes virtuais a sistemas que detectam quedas, inovação avança para permitir...