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Com fim da patente, genérico do Ozempic já está disponível por R$ 75

Índia sai na frente na venda de genérico do Ozempic e se torna o principal campo de testes para versões mais baratas de canetas emagrecedoras

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Ozempic – A corrida global pelas versões genéricas dos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e diabetes ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. Com a expiração da patente da semaglutida, princípio ativo de fármacos populares como o Ozempic e o Wegovy, em diversos mercados estratégicos, inclusive no Brasil, a Índia se posicionou como o primeiro grande cenário de oferta em massa.

No país que concentra o maior mercado de medicamentos do mundo, a farmacêutica Natco Pharma já iniciou as vendas de uma versão injetável da substância com preços a partir de 1.290 rúpias, o equivalente a cerca de R$ 75 por mês.

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Embora o Brasil ainda não conte com opções de fabricação local disponíveis para venda imediata, a Índia já observa uma movimentação intensa de laboratórios. Além da oferta inicial da Natco, a empresa informou em comunicado que um dispositivo do tipo caneta deve ser lançado até abril, com custo estimado em 4.500 rúpias mensais.

O movimento sinaliza uma redução drástica nos custos para o consumidor, uma vez que a caneta do Wegovy, da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, custa aproximadamente 10.480 rúpias (US$ 113) na Índia e cerca de US$ 199 nos Estados Unidos no modelo de pagamento direto.

A magnitude da concorrência indiana impressiona: uma análise da Bloomberg News em documentos corporativos identificou pelo menos 12 grandes fabricantes, como Sun Pharmaceutical Industries, Dr. Reddy’s Laboratories e Lupin, com planos de venda imediata.

Contudo, Sheetal Sapale, pesquisadora da empresa de dados Pharmarack, estima que a real dimensão seja ainda maior, com cerca de 42 fabricantes e mais de 50 marcas previstas para chegar ao mercado ainda este ano. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, outras empresas devem precificar a dose inicial entre 3.000 rúpias (US$ 32) e 5.000 rúpias mensais.

Especialistas apontam que a situação na Índia servirá como um termômetro para o resto do mundo. Analistas do Jefferies, liderados por James Vane-Tempest, escreveram em nota que a Índia é “um importante estudo de caso para o futuro” da perda de exclusividade dessa molécula.

A corretora estima que o mercado indiano de perda de peso possa saltar dos atuais US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão, impulsionado por preços adequados e maior adoção. Enquanto o Canadá foi o primeiro a perder a proteção de patente em janeiro, a ausência de aprovações de genéricos pelo regulador local até o momento torna a Índia o primeiro mercado a presenciar uma “enxurrada” de versões copiadas.

Diante da equivalência da molécula, a disputa entre as fabricantes deve se concentrar nos métodos de aplicação. Estão sendo testadas variedades que incluem seringas pré-preenchidas de uso único, canetas de dose única, frascos e canetas reutilizáveis com dosagem ajustável. Atualmente, os produtos de referência da Novo Nordisk e da Eli Lilly (Mounjaro) são vendidos em canetas de quatro doses. Para Sheetal Sapale, o sistema de aplicação será o diferencial competitivo central.

“A reputação da empresa nessa categoria terapêutica, assim como o sistema de aplicação, serão agora os diferenciais”, afirmou a pesquisadora, destacando que pacientes habituados a um dispositivo tendem a não trocar de marca.

O cenário também acelerou parcerias estratégicas no setor farmacêutico. A Zydus Lifesciences anunciou recentemente acordos de licenciamento com a Lupin e a Torrent Pharma, enquanto a Eris Lifesciences fechou parceria com a Natco Pharma.

Além da guerra de preços, a estratégia dos fabricantes genéricos deve focar em cidades menores, onde as empresas inovadoras ainda não possuem presença consolidada. Como resumiu Sapale, “haverá muito barulho” no mercado enquanto as empresas disputam cada fatia dessa nova e lucrativa participação.

(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik/stefamerpik)

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