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Desastre nuclear de Fukushima cria ambiente ideal para reprodução de porcos híbridos

Após o abandono da zona de exclusão em 2011, o cruzamento entre espécies domésticas e selvagens criou um "laboratório natural"

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Porcos híbridos – O desastre nuclear de Fukushima Daiichi, em março de 2011, não alterou apenas a vida das 164 mil pessoas evacuadas da região nordeste do Japão. Onze anos após o terremoto de magnitude 9,0 e o subsequente tsunami, a área ao redor da usina tornou-se o cenário de um fenômeno biológico atípico: a hibridização acelerada entre porcos domésticos e javalis selvagens.

Diferente de outras regiões do mundo, em que populações híbridas são controladas pelo abate para evitar desequilíbrios ecológicos, a radioatividade em Fukushima criou um santuário involuntário. Sem a intervenção humana, os animais de fazenda deixados para trás cruzaram-se com a fauna local, dando origem a uma linhagem que hoje é alvo de estudos genéticos profundos.

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Papel das linhagens maternas

Uma pesquisa liderada pelo geneticista Shingo Kaneko, da Universidade de Fukushima, em colaboração com Donovan Anderson, da Universidade de Hirosaki, analisou amostras de DNA coletadas entre 2015 e 2018. O estudo, publicado no Journal of Forest Research, revelou que a influência dos porcos domésticos no código genético da população atual é conduzida de forma específica pelas fêmeas.

Os dados mostram que a capacidade dos porcos domésticos de se reproduzirem ao longo de todo o ano, ao contrário dos javalis nativos, que geralmente procriam apenas uma vez anualmente, foi transmitida pelas linhagens maternas. Essa característica resultou em uma renovação genética muito mais veloz do que o previsto.

Diluição genética e aplicações práticas

Apesar da reprodução acelerada, a pesquisa identificou que o DNA nuclear dos porcos domésticos está diminuindo rapidamente a cada nova geração. Os cientistas já localizaram animais que estão a mais de cinco gerações de distância do cruzamento inicial, apresentando traços genéticos suínos mínimos em seu núcleo celular, embora ainda carreguem o DNA mitocondrial dos ancestrais domésticos.

A relevância da descoberta vai além das fronteiras da zona de exclusão. Para os pesquisadores, compreender como essas linhagens maternas favorecem a proliferação pode oferecer ferramentas valiosas para autoridades ambientais no aprimoramento de estratégias de controle de espécies invasoras e mitigação de danos em outros ecossistemas.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/Imagem gerada por IA)

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