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EUA e China travam guerra de influência por ecossistemas de IA no Brasil

País tem atraído bilhões em investimentos de gigantes da tecnologia, mas enfrenta riscos crescentes de dependência normativa e tecnológica

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Ecossistemas de IA – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no dia 23 de julho de 2025, uma ordem executiva para exportar os chamados “pacotes completos” de inteligência artificial (IA), colocando o Brasil em uma lista de destinos prioritários ao lado de Egito e Indonésia. A medida não é meramente comercial; ela intensifica a disputa global com a China por influência tecnológica. O Brasil, nominalmente no topo das prioridades americanas, figura como um mercado emergente onde Washington acredita que a presença dos EUA precisa ser consolidada antes que a influência chinesa se torne irreversível.

Para compreender a magnitude dessa estratégia, analistas apontam para o precedente japonês. Em outubro de 2025, durante visita de Trump a Tóquio, foi assinado o “Technology Prosperity Deal”, um acordo que vai muito além da compra e venda de hardware. O documento estabelece um alinhamento profundo em padrões técnicos, frameworks de governança, fluxo de dados e cooperação em segurança digital. Na prática, o Japão passou a integrar estruturalmente a órbita tecnológica americana como um parceiro normativo, modelo este que Washington agora deseja replicar em escala global.

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A lógica americana responde a um modelo que a China já exporta e que especialistas descrevem como “full-stack com condições embutidas”. O pacote chinês inclui hardware subsidiado, software com lógica de “caixa preta” e frameworks de governança que replicam o modelo regulatório de Pequim. Diante disso, Washington compreendeu que competir apenas na venda de chips não é suficiente; tornou-se necessário exportar o ecossistema inteiro e a arquitetura normativa que o sustenta.

Para o Brasil, o cenário é de um “malabarismo admirável”, mas carregado de contradições estruturais. Em 2025, o governo Lula assinou um memorando de entendimento com a China para colaboração em IA. Simultaneamente, Brasília avançava em conversas com os EUA e recebia anúncios bilionários para a construção de data centers da Microsoft, Amazon e Oracle. No entanto, o preço dessa dualidade pode ser alto: os dois modelos chegam com política externa escrita no rodapé do contrato.

A questão central, alertam observadores, não é quem vende o chip, mas quem treinou o modelo. Atualmente, os grandes sistemas de linguagem e tomada de decisão usados no Brasil foram desenvolvidos majoritariamente por empresas americanas, seguindo padrões e dados que refletem a realidade dos EUA. Esse viés estrutural tende a se aprofundar, uma vez que a infraestrutura brasileira opera sobre servidores sujeitos ao CLOUD Act, lei que autoriza o governo americano a requisitar dados em qualquer jurisdição do mundo.

O próprio esforço regulatório nacional revela essa ambiguidade. Enquanto o Senado busca referência no AI Act europeu para garantir soberania e criar um sistema de governança sob a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a implementação real é operada por corporações multinacionais. O Brasil faz a lei, mas quem comanda a infraestrutura sobre a qual essa lei incide são agentes externos.

Apesar dos riscos de dependência, o país possui cartas genuínas na mesa. O Brasil é o maior mercado de dados da América Latina, possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e detém o PIX, um dos sistemas de pagamentos mais sofisticados globalmente. O interesse de Washington e Pequim não é por generosidade, mas pela escala, energia e população conectada que o país oferece.

A pergunta fundamental que o debate público brasileiro ainda evita é o que se está entregando em troca da aceitação desses pacotes completos de IA. Para além dos termos comerciais, o risco reside na perda de autonomia sobre decisões que, em uma década, serão tomadas por sistemas programados em algum lugar do exterior, sob regras que o Brasil terá apenas aceitado.

(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik/namrashahid20)

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