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IA redefine o que vale no mercado de trabalho

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IA redefine o que vale – A rápida evolução da inteligência artificial tem levantado debates cada vez mais amplos sobre seus impactos estruturais na economia e na sociedade. Para Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop, as ferramentas tradicionais de análise já não são suficientes para explicar o cenário atual, marcado por alta complexidade e mudanças simultâneas.

Segundo a especialista, há um risco crescente de uma crise global da inteligência, impulsionada pela popularização da inteligência artificial generativa. Nesse contexto, atividades cognitivas antes consideradas estratégicas — como análise de dados, desenvolvimento tecnológico e formulação de estratégias — passam a ser executadas por sistemas com alta eficiência e baixo custo, alterando o valor da inteligência humana na economia.

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Marcella avalia que os impactos tendem a ser graduais, mas profundos. Em vez de demissões imediatas em larga escala, o movimento pode se refletir na redução de contratações, na pressão sobre salários e na substituição progressiva de funções baseadas em conhecimento. Esse cenário se conecta ao conceito de “trabalho ilimitado”, em que sistemas digitais passam a produzir em escala praticamente infinita, inclusive em tarefas intelectuais.

Na análise da especialista, essa transformação também enfraquece a relação entre crescimento econômico e expansão da força de trabalho humana. Embora a produtividade aumente, isso não significa, necessariamente, uma melhor distribuição de renda. Surge, então, o risco de uma economia que cresce sem ampliar a circulação de renda, fenômeno que vem sendo descrito como “Ghost GDP”.

Ela aponta ainda que esse desequilíbrio pode gerar um ciclo difícil de reverter: a automação reduz a renda, o consumo diminui e empresas respondem com mais automação. Ao mesmo tempo, tecnologias que ampliam capacidades humanas tendem a beneficiar apenas quem tem acesso a esses recursos, aprofundando desigualdades.

Além dos impactos econômicos, Marcella Calfi destaca mudanças nas relações sociais. Sistemas de inteligência artificial já começam a ocupar espaços tradicionalmente humanos, oferecendo interação e suporte emocional, o que pode transformar a forma como as pessoas se relacionam no trabalho e fora dele.

Esse movimento já é percebido dentro das organizações, com sinais de menor tolerância a conflitos, queda no engajamento e dificuldades na gestão de feedback. Para a especialista, esses efeitos não estão ligados apenas à tecnologia, mas à forma como ela vem sendo incorporada no cotidiano.

Diante desse cenário, Marcella defende que o futuro não pode mais ser analisado a partir de tendências isoladas. As transformações mais profundas, segundo ela, surgem da convergência entre diferentes forças tecnológicas. Com a inteligência artificial se consolidando como uma nova infraestrutura econômica, o principal desafio passa a ser não apenas gerar valor, mas garantir como ele será distribuído.

(Com informações de TI Inside)
(Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com)

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