Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home TI IA redefine o que vale no mercado de trabalho
TI

IA redefine o que vale no mercado de trabalho

Estudo aponta que avanço da IA pode reduzir o valor do trabalho humano e pressionar a distribuição de renda

103

IA redefine o que vale – A rápida evolução da inteligência artificial tem levantado debates cada vez mais amplos sobre seus impactos estruturais na economia e na sociedade. Para Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop, as ferramentas tradicionais de análise já não são suficientes para explicar o cenário atual, marcado por alta complexidade e mudanças simultâneas.

Segundo a especialista, há um risco crescente de uma crise global da inteligência, impulsionada pela popularização da inteligência artificial generativa. Nesse contexto, atividades cognitivas antes consideradas estratégicas — como análise de dados, desenvolvimento tecnológico e formulação de estratégias — passam a ser executadas por sistemas com alta eficiência e baixo custo, alterando o valor da inteligência humana na economia.

LEIA: Mensagem simples no WhatsApp esconde fraude que já atingiu milhares

Marcella avalia que os impactos tendem a ser graduais, mas profundos. Em vez de demissões imediatas em larga escala, o movimento pode se refletir na redução de contratações, na pressão sobre salários e na substituição progressiva de funções baseadas em conhecimento. Esse cenário se conecta ao conceito de “trabalho ilimitado”, em que sistemas digitais passam a produzir em escala praticamente infinita, inclusive em tarefas intelectuais.

Na análise da especialista, essa transformação também enfraquece a relação entre crescimento econômico e expansão da força de trabalho humana. Embora a produtividade aumente, isso não significa, necessariamente, uma melhor distribuição de renda. Surge, então, o risco de uma economia que cresce sem ampliar a circulação de renda, fenômeno que vem sendo descrito como “Ghost GDP”.

Ela aponta ainda que esse desequilíbrio pode gerar um ciclo difícil de reverter: a automação reduz a renda, o consumo diminui e empresas respondem com mais automação. Ao mesmo tempo, tecnologias que ampliam capacidades humanas tendem a beneficiar apenas quem tem acesso a esses recursos, aprofundando desigualdades.

Além dos impactos econômicos, Marcella Calfi destaca mudanças nas relações sociais. Sistemas de inteligência artificial já começam a ocupar espaços tradicionalmente humanos, oferecendo interação e suporte emocional, o que pode transformar a forma como as pessoas se relacionam no trabalho e fora dele.

Esse movimento já é percebido dentro das organizações, com sinais de menor tolerância a conflitos, queda no engajamento e dificuldades na gestão de feedback. Para a especialista, esses efeitos não estão ligados apenas à tecnologia, mas à forma como ela vem sendo incorporada no cotidiano.

Diante desse cenário, Marcella defende que o futuro não pode mais ser analisado a partir de tendências isoladas. As transformações mais profundas, segundo ela, surgem da convergência entre diferentes forças tecnológicas. Com a inteligência artificial se consolidando como uma nova infraestrutura econômica, o principal desafio passa a ser não apenas gerar valor, mas garantir como ele será distribuído.

(Com informações de TI Inside)
(Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com)

Posts relacionados

Apple firma parceria com Intel para ampliar produção de chips próprios

Parceria prevê fabricação de chips usando o processo 18A da Intel e...

TI

Fim da criptografia nas DMs do Instagram divide especialistas e entidades

Plataforma abandona tecnologia E2EE e divide opiniões entre organizações de proteção à...

TI

IA ameaça sistema financeiro global com ataques cibernéticos, diz FMI

Relatório destaca que a inteligência artificial pode acelerar ataques cibernéticos ao sistema...

TI

Novo sistema promete revolucionar o resfriamento de data centers

Tecnologia usa placas de cobre com microestruturas inspiradas em galhos de árvores...