Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home TI Novo modelo de IA avança em cibersegurança e surpreende especialistas
TI

Novo modelo de IA avança em cibersegurança e surpreende especialistas

Ferramenta da Anthropic demonstra capacidade inédita de identificar falhas críticas em sistemas

64

Cibersegurança – Nas últimas semanas, o lançamento de um novo modelo de inteligência artificial colocou autoridades e empresas em estado de atenção. Desenvolvido pela Anthropic, o sistema batizado de Claude Mythos vem sendo descrito como uma ferramenta extremamente poderosa, capaz de superar humanos em tarefas específicas de cibersegurança.

O avanço reacende um debate recorrente no setor tecnológico: até que ponto a evolução da inteligência artificial representa um progresso positivo ou um risco difícil de controlar?

LEIA: INSS inicia pagamento antecipado do 13º salário; veja calendário

Capacidade de detectar falhas chama atenção

O Claude Mythos integra a família de modelos Claude, criada pela Anthropic para competir com soluções como ChatGPT e Gemini. Apresentado no início de abril como uma versão preliminar, o sistema foi submetido a testes conduzidos por especialistas em segurança, conhecidos como “red teams”, responsáveis por avaliar o desempenho da tecnologia em cenários críticos.

Os resultados surpreenderam. Durante as avaliações, o modelo foi capaz de identificar vulnerabilidades ocultas em códigos antigos, alguns com décadas de existência, e sugerir formas de explorá-las com relativa facilidade.

Diante desse potencial, a empresa optou por não liberar o acesso ao público em geral. Em vez disso, restringiu o uso a um grupo seleto de organizações por meio do Projeto Glasswing.

Acesso restrito envolve gigantes da tecnologia

A iniciativa reúne algumas das maiores empresas do setor, como Amazon Web Services, Apple, Microsoft e Google, além de fabricantes de chips como Nvidia e Broadcom.

Também integra o projeto a CrowdStrike, empresa de segurança digital que ganhou notoriedade após uma falha global registrada em 2024.

Segundo a Anthropic, mais de 40 organizações que operam softwares considerados críticos já tiveram acesso ao modelo. O objetivo oficial é fortalecer a segurança desses sistemas, inclusive contra ameaças que poderiam ser potencializadas pelo próprio Mythos.

Preocupação cresce entre autoridades globais

A principal preocupação está na capacidade do sistema de localizar falhas graves com rapidez e pouca supervisão. Em comunicado, a Anthropic afirmou que o modelo já identificou milhares de vulnerabilidades de alta severidade, incluindo brechas em sistemas operacionais e navegadores amplamente utilizados.

O tema passou a mobilizar autoridades financeiras internacionais. A tecnologia foi discutida recentemente em reuniões do Fundo Monetário Internacional, reunindo ministros e reguladores de diversos países.

O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, classificou o cenário como uma “incógnita desconhecida”. Já o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, destacou a necessidade de avaliar com cautela o possível aumento da criminalidade cibernética.

A União Europeia também confirmou que mantém diálogo com a empresa para compreender melhor os impactos da ferramenta.

Especialistas divergem sobre o real impacto

Entre profissionais de cibersegurança, as reações variam entre preocupação e ceticismo. Ciaran Martin, ex-diretor do Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido, afirmou que as alegações sobre a capacidade do modelo de encontrar falhas críticas “chocaram muita gente”.

Ainda assim, ele ressalta que muitos ataques bem-sucedidos atualmente não dependem de tecnologia sofisticada, mas sim de sistemas desatualizados ou mal protegidos.

O Instituto de Segurança de IA do Reino Unido também analisou o modelo e concluiu que, embora seja altamente potente, seu impacto tende a ser mais significativo em ambientes vulneráveis. Em sistemas bem protegidos, os riscos seriam mais limitados.

Entre ameaça e oportunidade

Como ocorre com outras inovações tecnológicas, o Claude Mythos surge cercado de expectativas e incertezas. Parte dos especialistas aponta que empresas de inteligência artificial também se beneficiam ao destacar o poder de suas ferramentas, o que pode inflar percepções sobre seus riscos.

Por outro lado, o potencial positivo é evidente. Ferramentas desse tipo podem ajudar a identificar e corrigir falhas antes que sejam exploradas por criminosos, contribuindo para um ambiente digital mais seguro.

Apesar das divergências, há um ponto de consenso: mais importante do que o temor diante de novas tecnologias é o investimento contínuo em boas práticas de cibersegurança. Afinal, mesmo sem o uso de IA avançada, muitas invasões ainda ocorrem por falhas básicas.

 

(Com informações de Gizmodo)

(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)

Posts relacionados

Riscos tecnológicos lideram lista de preocupações de multinacionais

Levantamento mostra que incidentes tecnológicos ganharam espaço entre as principais ameaças percebidas...

China apresenta computador quântico que funciona sem refrigeração extrema

Modelo utiliza átomos neutros controlados por lasers e elimina a necessidade de...

IA generativa já é utilizada por quase 20% da população mundial

Estudo aponta expansão da inteligência artificial em larga escala, aumento da produtividade...

Pressão por uso de IA na Amazon nos EUA causa reação de funcionários

Com metas agressivas de adoção de IA e monitoramento público de indicadores,...