Segurança offshore – A Petrobras, em parceria com a startup Wiise, deu início a um projeto estratégico para o desenvolvimento de um software inovador baseado em inteligência artificial (IA) que promete transformar as análises de risco em poços offshore. A iniciativa, que conta com um investimento de R$ 11,2 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), tem como objetivo automatizar processos e auxiliar especialistas na tomada de decisões críticas para a segurança operacional.
Ao longo de três anos, o projeto visa criar uma metodologia que permita ampliar as análises quantitativas de risco para todo o parque de poços da estatal, utilizando uma base de dados centralizada. A proposta é aumentar a escala das avaliações sem comprometer o rigor técnico, possibilitando um planejamento de manutenções mais eficiente.
LEIA: IA muda relações de trabalho e desafia legislação, dizem especialistas no TST
A importância da tecnologia aplicada a esse setor foi destacada por João Victor, engenheiro da Wiise: “As análises quantitativas de risco são essenciais para a gestão de integridade de poços offshore, onde a segurança operacional é prioridade e as decisões exigem alto nível de planejamento. Com a aplicação de novas tecnologias de IA, tarefas rotineiras serão automatizadas, permitindo que engenheiros especialistas concentrem seus esforços em questões estratégicas. Dessa forma, promovemos mais eficiência e agilidade nos processos, além de ampliar o alcance das análises quantitativas para um número maior de poços.”
Atualmente, a Petrobras é a maior operadora de poços offshore no Brasil, com uma frota em constante crescimento em áreas de alta complexidade, como o Pré-sal e a Bacia de Campos. O Plano Estratégico da companhia prevê a perfuração de aproximadamente 100 novos poços marítimos até 2030, o que torna a otimização dos processos ainda mais urgente.
A relevância do software também se justifica pelos altos custos envolvidos na manutenção submarina. Segundo Danilo Colombo, Consultor de Confiabilidade e Análise de Riscos na Petrobras, o “custo inicial de construção de um poço pode superar US$ 100 milhões e os gastos com manutenção, aluguel de sondas e embarcações de apoio podem ultrapassar US$ 800 mil por dia, com intervenções que duram, em média, entre 15 e 50 dias, dependendo da complexidade.”
Além do sistema de gestão de risco, a Wiise também atua no desenvolvimento de gêmeos digitais, réplicas virtuais que simulam equipamentos e processos críticos. Esses modelos permitem uma avaliação detalhada de fenômenos como danos em linhas de controle e erosão em válvulas, fundamentando decisões de alto impacto sem a necessidade de intervenções físicas imediatas.
As duas soluções são complementares: enquanto o software gerencia o ativo como um todo em tempo real, os gêmeos digitais oferecem uma visão aprofundada sobre parâmetros específicos que podem comprometer a integridade do poço, tanto na fase de projeto quanto durante a operação. Com o suporte da engenharia computacional, a expectativa é de que as novas ferramentas resultem em economia de dias de sonda, otimização de processos e elevação dos padrões de segurança no setor.
(Com informações de Ti Inside)
(Foto: Reprodução/Arquivo/Agência Brasil)