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Projeto do Real Digital muda de rumo e perde função de pagamento

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Real Digital – O Banco Central (BC) decidiu reformular o conceito original do Drex (Digital Real X), inicialmente projetado para facilitar transações financeiras por meio da tokenização. Criado em 2020, o programa sofreu atrasos motivados principalmente por desafios ligados à privacidade de dados e agora passa por uma readequação.

Segundo informações repassadas pelo BC aos consórcios envolvidos no desenvolvimento do sistema na última terça-feira (4), a infraestrutura baseada em DLT (Distributed Ledger Technology) perderá parte de suas funcionalidades a partir da próxima segunda-feira (10), retirando do Drex a atribuição de realizar pagamentos.

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Linha do tempo do projeto Drex

* O BC deu início ao Drex em 2020, com um grupo destinado a estudar uma moeda digital nacional;
* Em 2021, foram definidas diretrizes como uso em pagamentos no varejo, operações online e offline e a possibilidade de uma versão física;
* No ano de 2023, começaram os testes e foram selecionados os 16 participantes iniciais — entre consórcios e instituições financeiras —, além da escolha oficial do nome Drex (antes, Real Digital);
* A primeira transação bancária teste ocorreu ainda em 2023;
* A segunda fase de testes foi iniciada em 2024, com a terceira planejada para 2025;
* O lançamento ao público, previsto para o início de 2025, segue sem prazo definido; a nova previsão é de que uma etapa adicional de testes aconteça somente em 2026.

O que muda daqui para frente?

A reorientação ocorre porque a arquitetura blockchain utilizada pelo Drex ainda não conseguiu atender completamente aos requisitos de preservação de sigilo, como o bancário. No primeiro semestre de 2026, o BC deverá definir qual tecnologia sustentará a próxima fase do piloto, com prioridade para um mecanismo seguro de registro de ativos usados como garantia em operações de crédito.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fabio Araujo, coordenador do projeto, reconheceu que as “soluções testadas até o momento, apesar de promissoras, ainda não apresentam nível de maturidade compatível com o que é requerido pelos serviços operados no sistema financeiro nacional”. Ele ainda alertou que chamar o Drex de moeda digital pode causar interpretações equivocadas, já que “não é seu ponto central”.

Até o momento, a avaliação interna do BC é de que o redesenho do programa não representa um fracasso, mas uma oportunidade para reposicionar o Drex em modelos de negócios que podem surgir com a evolução tecnológica.

(Com informações de TecMundo)
(Foto: Reprodução/Freepik/gustavomellossa)

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