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Sistema com IA revoluciona moagem da cana e gera milhões em receita adicional

Tecnologia já adotada por usina no interior de SP permite monitoramento em tempo real e eleva a recuperação de açúcar

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IA – O uso da inteligência artificial começa a transformar processos tradicionais da indústria sucroenergética, especialmente na etapa de moagem da cana-de-açúcar. Um sistema que integra sensores e IA vem permitindo ganhos de eficiência operacional e aumento de receita ao ajustar as moendas em tempo real, com base nas características da matéria-prima processada.

A tecnologia, batizada de MM.IA (Monitoring Mills ou Monitoramento de Usinas com Inteligência Artificial), foi desenvolvida pela consultoria ITC, de Piracicaba (SP), e já está em operação na Usina São Manoel, localizada no interior paulista. A solução combina sensores de infravermelho próximo (Near Infrared) com algoritmos de IA para analisar, segundo a segundo, as propriedades da cana durante a moagem.

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Diferentemente do modelo tradicional, baseado em análises laboratoriais feitas a cada quatro horas, o sistema permite decisões instantâneas. “O setor sempre usou dados laboratoriais obtidos a cada quatro horas, ou seja, decisões baseadas em informações do passado. Agora, a IA transforma essas fotografias em um filme em tempo real para buscar a maior eficiência possível”, afirma Rafael Bassetto, gerente de Novos Negócios da Usina São Manoel.

O monitoramento contínuo é relevante porque a composição da cana varia de acordo com cada touceira, influenciando diretamente os níveis de açúcar, fibras e água. Esses fatores são determinantes para maximizar a extração de ATR (Açúcar Total Recuperável). A partir das análises feitas em tempo real, o sistema aciona automaticamente a calibragem das moendas, que já possuíam essa funcionalidade.

Segundo Bassetto, a implementação da tecnologia foi facilitada pela adaptação às estruturas existentes. “A adaptação foi simples porque trouxe benefícios à usina e facilidade aos operadores”, destaca.

Os testes com o sistema começaram em 2020, com ampliação do uso em 2021 e adoção da regulagem automática em tempo real a partir de 2022. O investimento feito pela usina foi de R$ 3,5 milhões ao longo de cinco anos. Na última safra, o uso da tecnologia resultou em um aumento de 0,25% no índice de recuperação de açúcar, gerando um faturamento adicional estimado entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões.

Para Bassetto, o principal desafio do setor está na eficiência da extração. “Não é produzir açúcar, mas recuperar o açúcar da cana. A capacidade de extração padrão fica em 88% a 90%, e a moenda responde por 80% da perda”. Por isso, o aumento no índice de recuperação “é uma grande oportunidade”.

Embora sensores de infravermelho próximo sejam utilizados no setor desde a década de 1990, a ITC destaca que o diferencial do sistema está na integração com IA e na calibração precisa. “A capacidade de fazer a calibração é fundamental e requer experiência, além de conhecimento. Ter dados imprecisos é quase tão ruim quanto não ter dados. Cada usina precisa da calibragem exata do seu sensor”, explica Bassetto.

Na Usina São Manoel, dois sensores são utilizados na moenda – um na entrada da cana e outro na saída do melaço – capturando dados de até 40 parâmetros por segundo. A tecnologia emite luz infravermelha sobre as amostras e analisa os padrões de absorção e reflexão, identificando com precisão a composição da matéria-prima. Essas informações alimentam um sistema de IA customizado, integrado ao histórico operacional da usina.

Para Jaime Finguerut, diretor técnico da ITC, a adoção antecipada dessas soluções pode definir o futuro do setor. “As usinas que se anteciparem serão protagonistas da nova bioeconomia. Quem investir cedo vai colher os frutos da eficiência e da sustentabilidade”, afirma.

De acordo com a ITC, o desenvolvimento da tecnologia recebeu investimentos de aproximadamente R$ 11 milhões nos últimos cinco anos. A Usina São Manoel já planeja expandir o uso do sistema para outras etapas produtivas, como fermentação e fabricação de açúcar. “No caso da fermentação, o investimento está na casa de R$ 2 milhões, diluídos em cinco anos. Projetamos R$ 1 milhão de retorno extra ao ano nestas novas duas etapas”, afirma Bassetto.

Na safra 2024/25, a Usina São Manoel processou 3,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo 96,2% provenientes de áreas próprias ou arrendadas e 3,8% de parceiros. No período, a unidade produziu 160 milhões de litros de etanol e 260 mil toneladas de açúcar.

(Com informações de Globo Rural)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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