Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Destaque Avanço da IA pode levar a crise ‘inédita’ na classe média, dizem economistas
DestaqueNotícias

Avanço da IA pode levar a crise ‘inédita’ na classe média, dizem economistas

Vencedores do Nobel de Economia afirmam que avanço da IA tende a ampliar desigualdades, pressionar empregos intelectuais e exigir novas políticas públicas

3

Avanço da IA – A expansão da inteligência artificial (IA) deve produzir um efeito “inédito” sobre a classe média global, segundo avaliação dos economistas Esther Duflo e Abhijit Banerjee, laureados com o Nobel de Economia em 2019 por estudos sobre desigualdade.

Em entrevista à EXAME, Duflo afirmou que o avanço da IA deve intensificar disparidades econômicas em escala global, atingindo de forma direta trabalhadores qualificados. “E será particularmente doloroso nas classes médias que têm empregos intelectuais ou facilmente substituíveis por IA”, disse. “É uma ironia que as pessoas que podem ser mais afetadas agora sejam os programadores, que estão se tornando obsoletos por meio da programação.”

LEIA: Robôs assumem funções essenciais e revelam nova fase da automação

A economista aponta que o impacto não será homogêneo dentro da própria área de tecnologia. Enquanto um grupo restrito de profissionais altamente valorizados concentra oportunidades, uma parcela significativa tende a perder espaço no mercado. “Enquanto isso, milhares ou centenas de milhares de pessoas que tinham uma vida muito confortável, que pertenciam à classe média na Índia, perderão seus empregos”, afirmou.

Na avaliação de Duflo, o desenvolvimento das ferramentas de IA tem priorizado a substituição acelerada da força de trabalho. Esse movimento pode alterar a lógica tradicional das políticas sociais.

“Essa será uma situação totalmente nova, em que a proteção social será necessária para as classes médias, que não estão acostumadas a isso. Elas estão acostumadas a pensar que apenas os perdedores precisam de proteção social”, disse.

Pressão sobre governos e risco de crise

Para Banerjee, a transformação impulsionada pela IA exigirá respostas estruturais dos governos, especialmente diante da concentração de riqueza. Ele destaca que o financiamento das perdas provocadas por novas tecnologias será um desafio central.

“O fato de haver agora quase uma revolta aberta dos ultrarricos contra o pagamento de impostos é o cerne da crise e, se eles eventualmente conseguirem se impor ao mundo, o que parece ser o que desejam, então não sei o que acontecerá”, afirmou.

O economista chama atenção para o peso crescente de grandes empresas na economia global. “Mesmo nos EUA, praticamente todo o boom do mercado de ações foi impulsionado por essas sete empresas . Se o equivalente a isso acontecer com a IA, provavelmente será ainda maior, porque ela dominará muitas outras áreas da vida, e eles se recusam a pagar impostos porque, você sabe, eles podem…”, disse.

Diante desse cenário, ele defende maior articulação política para enfrentar a concentração de renda. “Para ele, seria importante as políticas públicas dedicarem mais energia à criação de uma coalizão mais eficaz para tributar bilionários. ‘E, de outras formas, impedi-los de operar’”, afirmou.

O alerta mais contundente, segundo Banerjee, envolve a estabilidade social. “Se não houver empregos para a classe média e os bilionários não pagarem impostos, a sociedade entrará em colapso.”

Duflo acrescenta que, além da tributação, é necessário estabelecer regras para o desenvolvimento da tecnologia. “Mas isso não está acontecendo, porque as empresas de IA estão, em sua maioria, nos EUA, e não há ninguém lá para fazer isso por elas”, disse.

Cooperação internacional e políticas públicas

Os dois economistas estiveram em São Paulo em março para lançar uma iniciativa global em parceria com a Fundação Lemann, voltada à melhoria da formulação de políticas públicas. O projeto será conduzido a partir da Universidade de Zurique, onde passaram a atuar após décadas no Massachusetts Institute of Technology.

“O objetivo é compartilhar evidências de toda a experiência da rede J-PAL com brasileiros formuladores de políticas em todos os níveis, desde as prefeituras até o governo federal”, disse Duflo.

Durante a entrevista, eles também discutiram possíveis ajustes em políticas públicas, como o Bolsa Família, e ressaltaram a importância da qualidade dos dados na elaboração de iniciativas governamentais, além de analisarem caminhos que podem ser aplicados no contexto brasileiro.

(Com informações de EXAME)
(Foto: Reprodução)

Posts relacionados

Método reduz ruído quântico e abre caminho para supercomputadores mais estáveis

Avanço reduz interferências em cúbits e melhora a precisão de operações, aproximando...

IA detecta sinais de câncer mais de um ano antes do diagnóstico clínico

Tecnologia identifica sinais iniciais de câncer de pâncreas até 475 dias antes...

Robôs assumem funções essenciais e revelam nova fase da automação

Aeroportos no Japão adotam robôs em tarefas operacionais, levantando debates sobre os...

IA cria moléculas inéditas e avança no combate às superbactérias

Sistema projeta compostos do zero e gera substâncias com eficácia comprovada em...