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AVC mata um brasileiro a cada seis minutos e afeta cada vez mais jovens

Mais de 64 mil mortes foram registradas em 2024; especialistas alertam que 80% dos casos poderiam ser evitados com controle da pressão e hábitos saudáveis

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AVC – O acidente vascular cerebral (AVC) segue entre as principais causas de morte no país e preocupa cada vez mais os especialistas. De janeiro a outubro deste ano, 64.471 brasileiros perderam a vida em decorrência da doença — o equivalente a uma morte a cada seis minutos. Em 2023, foram mais de 85 mil óbitos, mantendo o Brasil entre os países com maior incidência.

O impacto também é sentido nos hospitais: entre 2019 e 2024, o tratamento de pacientes com AVC custou cerca de R$ 910 milhões ao sistema de saúde, com mais de 85 mil internações. Um em cada quatro pacientes precisou de leito de UTI.

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Neste 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, médicos reforçam que oito em cada dez casos poderiam ser evitados. O controle da pressão arterial, a prática regular de atividades físicas e o abandono do cigarro estão entre as principais medidas de prevenção.

“O AVC é uma doença súbita e devastadora, mas a maioria dos casos é evitável. O problema é que os fatores de risco, como hipertensão e cigarro, ainda são mal controlados”, afirma o neurocirurgião Hugo Doria, do Hospital Santa Catarina.

Dois tipos, uma mesma urgência

O AVC isquêmico, responsável por 85% dos casos, ocorre quando há obstrução de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro. Já o AVC hemorrágico, menos frequente porém mais grave, é provocado pelo rompimento de um vaso, resultando em sangramento e risco elevado de sequelas.

“Durante o AVC isquêmico há um bloqueio na artéria, levando à falta de sangue e morte das células cerebrais. Já no hemorrágico, o sangue extravasa por ruptura de um vaso”, explica o neurocirurgião Feres Chaddad, da Unifesp e da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Jovens no radar

Antes associado à velhice, o AVC vem atingindo cada vez mais adultos jovens. Nos últimos dez anos, a incidência do tipo isquêmico aumentou 66% entre pessoas com menos de 45 anos, segundo a Sociedade Brasileira de AVC.

“O estilo de vida mudou: há mais obesidade, sedentarismo, cigarro eletrônico, uso de anticoncepcionais e dietas desbalanceadas. Esse conjunto eleva a pressão e inflama os vasos, antecipando o aparecimento da doença.”, alerta o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema.

De acordo com Chaddad, três elementos explicam o aumento de casos nessa faixa etária:
– Doenças cardíacas como a persistência do forame oval, que facilita a passagem de coágulos;
– Associação de tabagismo e anticoncepcionais, que multiplica o risco de AVC e trombose;
– Uso de anabolizantes e testosterona, comuns em academias.

Nas mulheres, a combinação de enxaqueca com aura, cigarro e anticoncepcional é especialmente perigosa. Entre os homens, o uso indiscriminado de hormônios e estimulantes preocupa cada vez mais.

Reconhecer e agir rápido salva vidas

Os sintomas surgem de forma repentina e exigem resposta imediata. Entre os sinais mais comuns estão sorriso torto, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão e tontura.

O teste “SAMU” ajuda a identificar rapidamente:

– Sorriso: um lado do rosto não se move?
– Abraço: a pessoa consegue levantar os dois braços?
– Música: repete uma frase simples?
– Urgente: ligue para o 192 — cada minuto conta.

“Costumo dizer que tempo é cérebro, porque a cada minuto milhares de neurônios morrem ou deixam de se recuperar”, alerta Chaddad. O tratamento deve começar em até quatro horas após o início dos sintomas e pode envolver medicamentos para dissolver coágulos ou procedimentos que desobstruem os vasos.

Reabilitação e prevenção

O diagnóstico é feito por tomografia ou ressonância magnética, que ajudam a determinar o tipo de AVC e a área atingida. Com tratamento rápido e reabilitação — que inclui fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional —, muitos pacientes recuperam funções perdidas.

“O cérebro tem uma capacidade de adaptação impressionante, especialmente nos primeiros meses após o evento”, destaca Doria. Ainda assim, os especialistas são unânimes: evitar o primeiro AVC é o melhor remédio.

(Com informações de G1)
(Foto: Reprodução/Freepik/EmilyStock)

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