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Brasileiros dominam o básico no digital, mas esbarram em competências avançadas

Levantamento da CNI aponta avanço dos brasileiros nas competências digitais básicas, mas revela lacunas no domínio de tarefas mais avançadas, como uso de IA e desenvolvimento de sites

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Digital – Pouco mais da metade dos brasileiros já apresenta níveis elevados de habilidades digitais, mas ainda encontra dificuldades quando o assunto envolve tarefas mais avançadas. É o que aponta a 68ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: visão da população sobre o mercado de trabalho, divulgada nesta sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o levantamento, 54,2% da população possui habilidades digitais classificadas como altas ou média-altas. Quando consideradas apenas tarefas básicas, esse percentual sobe para 64,1%. Já no caso de atividades mais complexas, o índice cai para 44,5%, evidenciando uma lacuna importante na qualificação digital dos brasileiros.

LEIA: Segurança digital das empresas é tarefa que vai além da equipe de TI

A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, avalia que os dados reforçam a necessidade de ampliar a capacitação da população para acompanhar a evolução tecnológica.

“A redução da maturidade digital para as atividades complexas mostra que o trabalhador brasileiro, para continuar acompanhando o avanço das tecnologias, precisa intensificar o conhecimento, as habilidades, e se capacitar, principalmente com a introdução de uma indústria mais tecnológica, a robotização e a inteligência artificial. A habilidade de lidar com tarefas mais complexas se torna obrigatória e um diferencial dentro do mercado de trabalho”, recomenda.

Entre as atividades digitais básicas analisadas estão ações cotidianas como redigir e editar textos, utilizar aplicativos de mensagens, gerenciar redes sociais, navegar em sites, realizar compras online e efetuar transações financeiras, incluindo PIX e pagamentos de boletos. Também fazem parte desse grupo as buscas na internet para checagem de informações.

Já as tarefas consideradas complexas envolvem maior domínio técnico, como configurar dispositivos e aplicativos, resolver falhas em equipamentos, construir e interpretar planilhas, editar imagens e vídeos, trabalhar com armazenamento em nuvem e identificar fraudes digitais. O uso de inteligência artificial e ferramentas para criação de sites e aplicativos também integra essa categoria.

Jovens lideram domínio digital avançado

O estudo mostra que os jovens concentram os maiores níveis de habilidade em tarefas digitais complexas. Entre pessoas de 16 a 24 anos, 65,7% apresentam nível médio-alto ou alto nesse tipo de atividade. Na faixa de 25 a 34 anos, o percentual é de 63,2%.

Segundo Claudia Perdigão, esse desempenho está relacionado tanto ao contato mais recente com a educação formal quanto às exigências do mercado de trabalho atual.

“Além de terem mais facilidade por ainda estarem em fase de formação e terem já um contato mais continuado com essas tecnologias, os jovens também estão dentro de um mercado de trabalho mais dinâmico, onde essas tarefas se tornam obrigatórias e muito necessárias. Isso faz com que eles tenham um desempenho e um grau de maturidade digital muito maior”, destaca.

Por outro lado, a pesquisa aponta uma queda significativa no domínio dessas competências conforme a idade avança. Entre brasileiros de 35 a 44 anos, apenas 26,2% possuem alto nível em tarefas complexas, embora 53,4% somem níveis médio-alto e alto. Na faixa de 45 a 59 anos, o índice recua para 36%, enquanto entre pessoas com 60 anos ou mais chega a 9,9%.

Para a especialista da CNI, esse cenário está ligado ao período em que esses profissionais ingressaram no mercado de trabalho, quando a digitalização ainda era menos presente. Ela ressalta a importância da requalificação para garantir a permanência desses trabalhadores em um ambiente cada vez mais tecnológico.

“Considerando que essas pessoas ainda têm uma vida laboral a ser percorrida, é necessário que essas pessoas passem por um processo de capacitação e adaptação às novas tecnologias para que possam continuar inseridas no mercado de trabalho, que vai se tornar cada vez mais dinâmico em aspectos tecnológicos”, orienta.

 

(Com informações de Imirante.com)

(Foto: Reprodução/Freepik/farknot)

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