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Com amplo apoio popular, fim da escala 6×1 pode trazer ganhos sociais e econômicos

Fundador do movimento que colocou o fim da escala 6x1 de volta ao centro do debate político rebate críticas do mercado à proposta

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Fim da escala 6×1 – A possibilidade do fim da escala 6×1 ganhou novo impulso após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmar, no início de fevereiro, que o tema será prioridade do Legislativo em 2026. A declaração foi recebida com entusiasmo por Rick Azevedo, vereador no Rio de Janeiro e fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), cuja principal bandeira é eliminar a escala de trabalhado em que se folga apenas um dia na semana.

Aos 32 anos, o ex-balconista de farmácia tornou-se uma das principais vozes da pauta após viralizar nas redes sociais ao relatar a própria rotina de trabalho e criar uma petição que reuniu quase 3 milhões de assinaturas pelo fim da escala 6×1.

LEIA: Apoiado por 71% dos brasileiros, fim da escala 6×1 é civilizatório

Em entrevista à BBC News Brasil, Azevedo demonstrou confiança na tramitação da proposta. “Tenho certeza que vai ser aprovado agora nesse primeiro semestre de 2026”, afirmou.

Para ele, o apoio do governo federal à proposta é resultado direto da pressão popular. “Vejo como uma resposta à pressão do povo”, disse. Segundo ele, quando a classe trabalhadora se mobiliza, o governo “se sente seguro em enfrentar esse lobby para dizer ‘sim, teremos o fim da escala 6×1’”.

Apesar do otimismo, o vereador reconhece os desafios no Congresso. Propostas mais amplas, como a defendida pela deputada Erika Hilton, que prevê jornada de quatro dias por semana e 36 horas, enfrentam maior resistência.

“Quando se fala em direitos para a classe trabalhadora, sempre há uma grande resistência”, afirmou. Ainda assim, ele admite possíveis concessões: “De repente, a gente não consegue 4×3, mas, se a gente conseguir a 5×2 e 36 horas semanais, não iremos desistir”.

Ele rebate críticas de economistas e empresários, que alegam riscos à economia e ao emprego, lembrando que a resistência contra direitos dos trabalhadores é um padrão que se repete na história. “Se eu estivesse falando para você aqui agora ‘vamos acabar com a escravidão no país’, os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa”, disse. “O 13º, a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa”.

O vereador também discorda da avaliação de que a proposta pode prejudicar pequenas e médias empresas, responsáveis por 80% dos empregos formais no país. Segundo ele, há discussões em andamento para mitigar impactos. “Esses pequenos e microempresários vão ser assistidos”, afirmou, citando a possibilidade de isenções fiscais como uma das alternativas em estudo.

Com experiência no varejo farmacêutico, Azevedo rejeita argumentos de que a redução da jornada inviabilizaria o funcionamento de setores como o de farmácias. Para ele, há uma tentativa de manter condições precárias de trabalho. “Farmácias vendem cuidado, e quem cuida das pessoas que estão ali trabalhando?”, questionou.

Ele também sustenta que jornadas menores podem impulsionar a economia. “O trabalhador com mais tempo vai consumir mais”, disse, ao citar exemplos internacionais. Para o vereador, o temor de impactos negativos é “simplesmente pânico econômico”.

A discussão sobre produtividade também aparece no debate. Azevedo argumenta que melhores condições de vida são pré-requisito para o aumento da produtividade. “Como que o trabalhador vai ter uma produtividade boa se ela não tem condições mínimas?”, questionou, citando problemas como transporte precário e baixos salários.

Apesar do apoio popular demonstrado em pesquisas como da Genial/Quaest, que indica que 72% da população é favorável ao fim da escala 6×1, o Congresso ainda demonstra resistência. Apenas 42% dos deputados se declaram a favor, enquanto 45% são contrários. Para Azevedo, isso reflete a composição da Casa. “O Congresso Nacional brasileiro é a casa do agro, dos empresários, dos lobistas”, criticou.

Mesmo assim, ele acredita que a pressão popular será decisiva. “Eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do povo”, afirmou.

Audiência na Câmara

Na terça-feira (24), o presidente do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo), Antonio Neto, participará de audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho. Ele falará em nome da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), entidade que também preside.

A audiência integra o ciclo de discussões sobre propostas que tratam da redução da jornada semanal de trabalho. Para Antonio Neto, reduzir a jornada de trabalho é uma questão de justiça social e está alinhada aos anseios da sociedade, uma vez que diversas pesquisas apontam apoio de mais de 70% da população às pautas.

“Quando se explica que a escala 6×1 significa trabalhar seis dias e descansar apenas um, a sociedade percebe o quanto isso é desumano. O Brasil não reduz a jornada desde a Constituição de 1988, mesmo com o enorme avanço tecnológico e o aumento da produtividade. É preciso que esses ganhos também se traduzam em mais qualidade de vida para os trabalhadores”, afirma

(Com informações de BCC News Brasil)
(Foto: Reprodução/José Cruz/Agência Brasil)

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