Foguete da China – A corrida espacial ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11). A China, que consolidou seu papel como principal desafiante dos Estados Unidos no setor, ocupando o espaço que outrora pertenceu à Rússia, realizou um voo de demonstração do foguete Longa Marcha-10. O teste, conduzido no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan, é visto como um recado direto aos avanços da SpaceX, empresa de Elon Musk.
O grande diferencial do ensaio foi a execução de uma manobra de retorno controlado, na qual partes do foguete e da cápsula realizaram um pouso preciso no mar em áreas previamente coordenadas. O procedimento mimetiza a estratégia de “dar ré” e recuperação de componentes que se tornou a marca registrada da indústria aeroespacial privada norte-americana.
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Simulação de emergência
Durante a operação, o Longa Marcha-10 foi submetido a uma prova de fogo técnica: a simulação de escape sob pressão dinâmica máxima. Segundo especialistas, esse cenário reproduz as condições críticas de uma partida em situação de emergência, garantindo que a tecnologia seja capaz de preservar a integridade da missão e da tripulação em casos de falha no lançamento.
De acordo com a Administração Espacial Nacional da China (CNSA), o sucesso da missão valida um conjunto inédito de infraestrutura, que inclui um novo modelo de foguete e uma nova espaçonave tripulada, uma plataforma de lançamento desenvolvida especificamente para estas operações, além de protocolos avançados de recuperação marítima.
O novo alvo da corrida lunar
O avanço tecnológico chinês ocorre em um momento estratégico. Poucos dias antes do teste, Elon Musk anunciou uma mudança de rota em seus planos: a colonização de Marte ficará em segundo plano para que a SpaceX foque na construção de uma base lunar. Esse movimento intensifica a pressão sobre os cronogramas das agências espaciais.
A meta de Pequim é colocar astronautas chineses no satélite natural antes de 2030, um objetivo que rivaliza diretamente com o programa Artemis, liderado pelos EUA. Vale lembrar que já se passaram mais de 50 anos desde que o último ser humano pisou na Lua, em 1972, e a disputa tecnológica atual definirá quem estabelecerá a próxima presença permanente no solo lunar.
Embora os Estados Unidos tenham transformado o mercado global com a reutilização de foguetes, a China tem provado sua competência técnica com marcos históricos. Em 2019, o país entrou para os anais da exploração espacial ao realizar, com a missão Chang’e-4, o primeiro pouso suave de uma sonda no lado oculto da Lua, região até então nunca explorada diretamente por nenhuma nação.
(Com informações de Forbes)
(Foto: Reprodução/Freepik/Imagem gerada por IA)