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Disputa por minerais raros entre EUA e China cresce com avanço da IA

Dependente de estruturas físicas massivas e grandes volumes de minerais estratégicos, a inteligência artificial intensifica a corrida global por recursos

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IA – Embora associada a conceitos imateriais como “nuvem” e “machine learning”, a inteligência artificial (IA) é sustentada por uma complexa infraestrutura física que envolve grandes volumes de energia e minerais estratégicos. No centro dessa estrutura estão os data centers, instalações que abrigam milhares de equipamentos responsáveis por processar e armazenar quantidades massivas de dados.

Atualmente, há cerca de 12 mil data centers em operação no mundo, sendo 992 classificados como de hiperescala. Um dos maiores é o “The Citadel Campus”, em Nevada (EUA), com cerca de 669 mil metros quadrados.

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A fabricação desses equipamentos exige materiais específicos como gálio, germânio, silício metálico, tântalo, metais do grupo da platina, cobre, terras raras, prata e ouro, em sua maioria extraídos do Sul Global e purificados em altos graus para atender às demandas tecnológicas.

O ciclo de vida dos dispositivos é curto, variando de dois a cinco anos, e a obsolescência rápida contribui para o descarte frequente de hardware. Isso acarreta impactos ambientais e sanitários e obriga a extração contínua de novos recursos minerais.

Disputa acirra rivalidade entre potências

A crescente demanda por minerais críticos tem acentuado as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China. A China domina amplamente a cadeia de extração e refino de elementos essenciais à IA, enquanto os EUA concentram-se na fase de manufatura, que exige conhecimento técnico, domínio tecnológico e propriedade intelectual.

Desde 2018, as duas potências impuseram sanções e embargos relacionados a esses recursos. Em 2023, os Estados Unidos proibiram a venda de chips avançados à China e impuseram restrições à exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores. Essas medidas foram intensificadas em 2024, culminando na suspensão completa da exportação de chips voltados à IA.

A China respondeu restringindo suas exportações de minerais críticos. Em meio a esse cenário, o então presidente norte-americano Donald Trump anunciou, em 11 de junho, um acordo com a China permitindo a entrada de estudantes chineses em universidades dos EUA em troca do fornecimento de minerais de terras raras.

A medida foi acompanhada de pressão sobre a Ucrânia, instada por Trump a garantir acesso preferencial a contratos de fornecimento mineral, sob ameaça de perder o apoio norte-americano na guerra contra a Rússia.

Após reassumir a presidência, Trump anunciou reformas legislativas e US$ 500 bilhões em investimentos privados na infraestrutura de IA. Um dos executivos presentes prometeu construir vinte novos data centers, com 46,5 mil metros quadrados cada.

Pouco depois, a empresa chinesa DeepSeek lançou o chatbot DeepSeek-R1, rival do ChatGPT. Mesmo com restrições de acesso a chips, o modelo alcançou desempenho competitivo a baixo custo, causando perdas estimadas em US$ 1 trilhão no valor de mercado de empresas americanas.

Energia, IA e sustentabilidade em xeque

Outro aspecto crítico é o consumo energético da IA. Por depender de redes neurais complexas e movimentar grandes volumes de dados, essas aplicações demandam muito mais eletricidade que serviços digitais convencionais. Estima-se que uma interação com o ChatGPT consuma até dez vezes mais energia que uma busca no Google.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, data centers, criptomoedas e IA consumiram cerca de 460 TWh em 2022, 2% do total global. A projeção para 2026 varia entre 620 e 1.050 TWh. Nos Estados Unidos, data centers já representam 4% da demanda elétrica nacional, com previsão de aumento para 6% em 2026 e 9,1% em 2030.

A pressão sobre as redes de energia já é sentida em várias regiões, com risco de apagões e aumento nas tarifas. Para mitigar esses efeitos, empresas como Amazon, Google e Microsoft vêm investindo em fontes renováveis. No entanto, essas fontes também demandam grandes volumes de minerais críticos.

A construção de uma usina eólica terrestre, por exemplo, pode exigir até nove vezes mais minerais que uma usina a gás, enquanto a produção de 50 milhões de painéis solares seria necessária para suprir a demanda dos data centers dos EUA até 2030.

(Com informações de G1)
(Foto: Reprodução/Freepik/Thurein91)

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