Ratanabá – A Justiça Federal proibiu a Idakila Pesquisas de realizar novas incursões, voos ou pousos na Terra Indígena Kayabi, em Apiacás, no Mato Grosso. A decisão também impede a instalação de câmeras e sensores, pesquisas arqueológicas e mapeamentos por LiDAR na área.
O grupo com sede em Corguinho (MS) procurava vestígios relacionados à chamada Ratanabá e poderá ser multado em R$ 50 mil por flagrante caso descumpra as determinações. A decisão ainda prevê a possibilidade de apreensão de aeronaves, drones, câmeras e equipamentos de georreferenciamento utilizados nas atividades.
LEIA: OpenAI é investigada após modelos de IA realizarem ataque hacker
Os registros reunidos no processo indicam que as ações começaram em maio de 2022 e prosseguiram nos anos seguintes. Conforme documentos citados pela Justiça, houve sobrevoos, expedições por terra e água, utilização de drones e instalação de equipamentos para obtenção de imagens e informações sobre o terreno.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) também foram comunicados para bloquear e fiscalizar planos de voo de aeronaves próprias ou fretadas pela associação que tenham a Terra Indígena Kayabi como destino ou rota.
Incursões se estenderam por quatro anos
A sequência registrada no processo mostra que as atividades não se concentraram em uma única expedição. Em 2022, começaram os sobrevoos e incursões apontados pelo Ministério Público Federal (MPF). Documentos registram a continuidade das ações em 2023.
No ano seguinte, um helicóptero pousou na Aldeia Mairowi, em agosto de 2024. As incursões prosseguiram em 2025, segundo os relatórios citados na decisão judicial. Em 2026, a Justiça determinou a suspensão das atividades.
De acordo com o MPF, as ações ocorreram sem autorização da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e das comunidades locais.
Entre os recursos empregados nas expedições estava o LiDAR, tecnologia que utiliza pulsos de luz laser para medir distâncias e permite produzir mapas tridimensionais detalhados do terreno. A decisão também cita drones, voos rasos e outros equipamentos de sensoriamento remoto.
Câmeras registraram rotina de comunidades
As atividades descritas no processo também envolveram equipamentos de gravação. Um dos episódios mencionados nos autos ocorreu nas proximidades da aldeia Boca do Rio das Tropas, no Pará, onde lideranças Munduruku encontraram câmeras.
A decisão cita vídeos divulgados pela Dakila nos quais o grupo teria demonstrado a intenção de instalar “câmeras trap” no território de Mato Grosso. Conforme os documentos citados pelo juiz, a finalidade seria registrar supostas “criaturas ou fenômenos”.
Ainda segundo os autos, os elementos reunidos no processo foram considerados suficientes para apontar monitoramento não autorizado e violação da privacidade das comunidades. Os equipamentos teriam registrado adultos, crianças, embarcações e outras situações da rotina dos moradores.
Decisão considera impactos além do território físico
Para o MPF, as atividades atingiram direitos territoriais e culturais dos povos Munduruku, Kayabi e Apiaká. A Justiça considerou que a questão não envolve apenas a presença física dos grupos e equipamentos na região.
O juiz federal Marcel Queiroz Linhares destacou que o território indígena também possui importância cultural e espiritual para as comunidades.
“A permanência de sobrevoos, ingressos e monitoramentos sem autorização possui aptidão para causar dano continuado e de difícil reparação às comunidades indígenas, tanto sob a perspectiva territorial e cultural quanto sob a perspectiva espiritual, psíquica e coletiva.”
O magistrado também afirmou:
“A proteção constitucional conferida aos povos indígenas abrange sua organização social, costumes, crenças e tradições, não se limitando à dimensão física da posse territorial.”
Relatos apresentados no processo apontam que algumas das áreas alcançadas pelas atividades são consideradas sagradas pelos povos indígenas. Segundo as tradições das comunidades, esses locais estariam relacionados a mundos visíveis e invisíveis e aos espíritos dos antepassados.
Um laudo antropológico citado na decisão apontou possíveis danos culturais e espirituais provocados pelas atividades. Entre os relatos registrados estão episódios de medo generalizado, “desarmonia espiritual, medo, doenças, morte, fuga de animais e desequilíbrio da flora e fauna”.
As lideranças também disseram que as buscas alcançaram espaços sagrados nos quais, segundo suas tradições, “não se pode mexer”.
O que o grupo procurava
A Ratanabá é apresentada pela Idakila como uma suposta cidade perdida na Amazônia. Não há evidências científicas de que ela tenha existido.
Em materiais divulgados pelo grupo, Ratanabá é descrita como a “primeira capital do mundo” e o “Império Central dos Muril”. A associação afirma que essa civilização teria chegado à Terra há 600 milhões de anos.
A procura por possíveis vestígios relacionados a essa narrativa esteve entre os motivos das expedições realizadas na região.
Medidas impostas à Idakila
Além de determinar o fim das atividades na Terra Indígena Kayabi e em seus arredores, a Justiça Federal estabeleceu outras proibições para a associação.
A Idakila deverá:
• Cessar imediatamente qualquer voo, pouso ou incursão na Terra Indígena Kayabi e em seus arredores;
• Não realizar pesquisas arqueológicas;
• Não fazer mapeamentos por LiDAR;
• Não instalar sensores ou câmeras;
• Interromper a divulgação ou exploração comercial e publicitária de fotos, vídeos, coordenadas geográficas ou imagens coletadas durante as incursões, especialmente aquelas que envolvam crianças indígenas.
Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 50 mil por flagrante.
A decisão autorizou ainda a apreensão imediata de aeronaves, drones, câmeras e equipamentos de georreferenciamento utilizados pelo grupo. A medida poderá contar com apoio da Polícia Federal, Funai, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Idakila afirma que ainda não foi citada
Procurada pelo g1, a Idakila Pesquisas declarou que não foi citada nem intimada na ação judicial e, por isso, não se manifestaria sobre o mérito da decisão.
A associação afirmou que pretende apresentar sua manifestação nos autos quando for formalmente citada e declarou respeitar os direitos dos povos indígenas, a legislação ambiental e a liberdade de imprensa.
A entidade também disse manter uma trajetória de mais de 25 anos e citou iniciativas filantrópicas, culturais, educacionais e comunitárias.
Acumule cashback e transfira o dinheiro direto para sua conta!
A Bee Fenati (saiba mais aqui) segue em expansão para garantir aos seus usuários cada vez mais benefícios. Agora a plataforma conta com a Benefícios Rede Bee, que reúne descontos em dezenas de grandes marcas, com muitas delas oferecendo cashback, ou seja, o retorno de um valor da sua compra que poderá ser transferido para sua conta! (Saiba mais aqui)
Baixe o aplicativo nas lojas App Store (iOS) e Play Store (Android) e aproveite agora!
A rede oferece em um único ambiente ofertas em áreas como educação, compras, viagens, lazer, serviços, tecnologia e muito mais. Dentre as marcas parceiras estão Magalu, Renner, Drogasil, C&A, Casas Bahia, Petz, e outras dezenas de opções que oferecem tudo que você precisa na sua rotina!
Além de poderem aproveitar os descontos oferecidos pelas marcas parceiras, os sócios e contribuintes dos sindicatos filiados à Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) podem receber de volta um percentual a cada compra que realizarem em parceiros que oferecem o cashback.
Este valor fica em uma carteira digital dentro da plataforma e, a partir de R$ 20 reais acumulados em cashback, o trabalhador pode enviar o dinheiro direto para sua conta bancária! Na prática, a ferramenta permite que sócios e contribuintes dos sindicatos filiados à Fenati ZEREM o valor da sua contribuição assistencial e/ou associativa!
Atualmente, o valor da contribuição é de R$ 32,50 por mês para sócios e R$ 35 por mês para contribuintes, ou seja, é possível recuperar todo esse valor e ainda acumular muito mais – tudo isso contribuindo para fortalecer a categoria e transformando as compras do dia a dia em ganho real.
Qualifique-se agora com a Fenati Academy!
Dentro da Bee Fenati, o usuário encontra ainda a Fenati Academy, que oferece mais de 8 mil opções de qualificação e atualização profissional com bolsa integral para sócios e contribuintes de sindicatos filiados à Fenati. (Saiba mais)
Na plataforma, o profissional pode acessar o Sindplay, streaming de qualificação para profissionais de TI reconhecido como a “Netflix de TI”, que possui cursos em áreas como cibersegurança, Inteligência Artificial, desenvolvimento de softwares, desenvolvimento para a internet, administração de sistemas e redes, ciência de dados, gestão de projetos de TI, blockchain e tecnologias de moedas digitais, entre outras. (Saiba mais)
A ferramenta oferece também cursos em parceria com a Cisco Networking Academy, com CERTIFICAÇÕES GRATUITAS em áreas como segurança cibernética, Redes, IA, Ciência de dados, Inglês para TI, Programação, Tecnologia da informação, Alfabetização digital, Habilidades Profissionais (Soft skills) e Sustentabilidade. (Saiba mais)
Outra parceria da Fenati Academy é a Oracle University, uma das maiores referências globais em tecnologia. Os usuários já podem acessar cursos, trilhas de aprendizado e obter certificações Oracle gratuitamente ou com descontos exclusivos. Os conteúdos passam por áreas estratégicas como bancos de dados, computação em nuvem, inteligência artificial, desenvolvimento, automação e soluções corporativas. (Saiba mais)
Encontre o emprego dos seus sonhos com a Bee Hunter!
Sócios e contribuintes contam ainda com uma ferramenta para se aproximarem das melhores oportunidades do mercado de trabalho: a Bee Hunter, uma plataforma inteligente da Bee Fenati que utiliza tecnologia e inteligência artificial para tornar a busca por vagas mais eficiente, estratégica e conectada ao perfil de cada usuário. (Saiba mais aqui)
A partir do cadastro do currículo, a plataforma utiliza inteligência artificial para analisar informações como experiências, competências e objetivos profissionais, cruzando esses dados com vagas disponíveis em empresas parceiras como Vagas.com, Sinergy e Trampos e identificando as posições que mais combinam com o perfil do usuário.
A Bee Hunter vai além e auxilia o profissional a estar preparado para a vaga dos sonhos! Isso porque nossa inteligência analisa o perfil e sugere cursos da Fenati Academy que vão ajudá-lo a ampliar sua qualificação e elevar a aderência às vagas desejadas. Acesse agora clicando aqui e encontre seu emprego dos sonhos!
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific/Imagem gerada por IA)