Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Notícias “Guerra civil” de chimpanzés choca comunidade científica
Notícias

“Guerra civil” de chimpanzés choca comunidade científica

Pesquisa documenta conflito prolongado entre chimpanzés após décadas de convivência

113

Violência entre chimpanzés – Pesquisadores documentaram um fenômeno raro nas florestas de Uganda: um conflito prolongado e violento entre chimpanzés (Pan troglodytes) que antes conviviam em harmonia. O episódio envolveu a comunidade de Ngogo, considerada a maior já registrada na natureza, e oferece novos elementos para compreender as origens da violência coletiva.

Durante décadas, o grupo viveu de forma coesa. No entanto, essa estabilidade começou a ruir de maneira inesperada. A comunidade acabou se dividindo em duas facções rivais, que passaram a disputar território e protagonizar confrontos letais.

LEIA: Novo chip criado por cientistas suporta temperaturas de até 700 °C

De convivência pacífica ao confronto

O estudo, baseado em três décadas de observações, mostra que a ruptura não foi imediata. Até 2014, cerca de 200 indivíduos formavam um único grupo social. A partir de 2015, porém, os pesquisadores perceberam uma mudança no comportamento: os chimpanzés passaram a se agrupar de forma distinta, formando dois blocos conhecidos como grupo Ocidental e grupo Central.

Diferentemente de interpretações anteriores sobre conflitos entre primatas, muitas vezes atribuídos à interferência humana, o caso de Ngogo ocorreu de forma espontânea, sem estímulos externos aparentes.

Escalada de violência

Após a separação, a tensão evoluiu para ataques sistemáticos. Entre 2018 e 2024, o grupo Ocidental, mesmo sendo menor, realizou incursões frequentes no território rival.

Os dados revelam a dimensão do conflito:

• 24 ataques letais registrados contra antigos membros do grupo;
• ao menos sete machos adultos mortos;
• mortes de filhotes, com 17 casos confirmados ou inferidos;
• níveis de violência superiores aos estimados em outros grupos de chimpanzés e até em algumas sociedades humanas de pequena escala.

Um dos aspectos mais marcantes é que muitos dos indivíduos atacados já haviam mantido relações próximas com seus agressores, compartilhando atividades como caça e cuidado mútuo.

Possíveis causas do racha

Os cientistas apontam uma combinação de fatores para explicar a fragmentação do grupo. O tamanho elevado da comunidade pode ter dificultado a manutenção de vínculos sociais estáveis. Além disso, a morte de indivíduos importantes em 2014 teria enfraquecido conexões internas.

Outro ponto relevante foi a mudança na liderança. A ascensão de um novo macho dominante coincidiu com o início da separação. Ao mesmo tempo, houve um isolamento reprodutivo entre as facções, sem nascimento de filhotes entre membros dos dois grupos após a divisão.

O que isso revela sobre a violência

O caso sugere que conflitos intensos podem surgir mesmo na ausência de diferenças culturais, ideológicas ou religiosas. Para os pesquisadores, a simples ruptura de relações sociais já pode ser suficiente para desencadear hostilidade extrema.

A descoberta reforça a ideia de que a violência coletiva pode ter raízes mais profundas do que se imaginava, ligadas à dinâmica das relações e à organização social, e não apenas a fatores culturais.

(Com informações de Olhar Digital)

(Foto: Reprodução/ScienceAlert External Sources)

Posts relacionados

Nova NR-01 já está valendo e amplia proteção à saúde mental no trabalho

Mudanças na NR-01 exigem que empresas identifiquem riscos psicossociais e adotem medidas...

Caixa antecipa pagamento de R$ 8,5 bilhões de saque-aniversário do FGTS

Beneficiários podem receber automaticamente em conta cadastrada ou sacar nos canais físicos...

Governo e Câmara fecham acordo pelo fim da escala 6×1 já em 2026

Texto prevê jornada de 40 horas sem redução salarial, dois dias de...

Crise de saúde mental supera câncer e doenças cardíacas em impacto global

Pesquisa em 204 países mostra avanço dos casos e revela que a...