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Homem é curado do HIV após transplante com células do irmão

Paciente teve sistema imunológico substituído por células resistentes ao vírus

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Homem é curado do HIV – Um homem norueguês de 63 anos, conhecido como “Paciente de Oslo”, alcançou a remissão total do HIV após receber um transplante de células-tronco do próprio irmão. O procedimento, inicialmente indicado para tratar um câncer no sangue, acabou substituindo o sistema imunológico do paciente por células resistentes ao vírus, permitindo a interrupção do tratamento convencional.

O caso é considerado inédito. É a primeira vez que um transplante entre familiares consanguíneos com uma mutação genética específica leva à eliminação prolongada do HIV. Ao todo, este é o décimo registro de cura da infecção no mundo, conforme estudo divulgado na revista científica Nature Microbiology na segunda-feira (13).

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O sucesso do tratamento está relacionado a uma característica genética rara. Para infectar o organismo, o HIV precisa se ligar a uma estrutura presente nas células de defesa, conhecida como receptor CCR5. Sem esse mecanismo, o vírus não consegue penetrar nas células e se multiplicar.

Uma pequena parcela da população do norte da Europa (cerca de 1%) possui uma mutação genética chamada CCR5Δ32, que impede a formação desse receptor. Como resultado, essas pessoas têm células naturalmente resistentes à maioria das variantes do HIV.

No caso do paciente, a coincidência foi decisiva. Ao precisar de um transplante de medula óssea, descobriu que o próprio irmão era portador dessa mutação rara. O tratamento incluiu quimioterapia para eliminar o sistema imunológico comprometido e, em seguida, a introdução das células-tronco do doador.

Com o tempo, essas células passaram a formar um novo sistema imunológico no organismo do paciente, sem o receptor CCR5. O processo levou ao chamado quimerismo total, quando todas as células de defesa passam a ter origem no doador.

Sem conseguir infectar as novas células, o HIV perdeu a capacidade de se manter ativo no corpo. Mesmo os chamados “reservatórios” do vírus, onde ele costuma permanecer inativo, deixaram de sustentar a infecção.

Outro fator relevante foi o desenvolvimento de uma reação conhecida como doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD). Embora seja uma complicação potencialmente perigosa, os pesquisadores avaliam que, neste caso, ela contribuiu para eliminar células restantes que ainda poderiam abrigar o vírus.

Apesar do avanço, especialistas destacam que o procedimento não representa uma solução aplicável em larga escala. O transplante de células-tronco envolve riscos elevados, com taxas de mortalidade que podem chegar a 20% no primeiro ano. Além disso, encontrar um doador compatível que também possua a mutação CCR5Δ32 é extremamente raro.

Ainda assim, o caso reforça evidências de que o HIV pode ser eliminado quando o vírus perde acesso às células do sistema imunológico. A descoberta abre perspectivas para o desenvolvimento de terapias gênicas capazes de reproduzir esse efeito de forma mais segura no futuro.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/KamranAydinov)

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