Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Notícias Judiciário terá 30% de cotas raciais em concursos
Notícias

Judiciário terá 30% de cotas raciais em concursos

Nova resolução do CNJ aumenta a cota atual, de 20%, e passa a incluir indígenas e quilombolas

217

Cotas raciais – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira (11) uma resolução que amplia de 20% para 30% o percentual mínimo de cotas raciais em concursos públicos do Judiciário. A nova norma também passa a incluir indígenas e quilombolas entre os beneficiários e alinha as regras internas do órgão à lei nº 15.142/2025, que redefiniu a política de cotas no serviço público federal.

A medida será aplicada em concursos com duas ou mais vagas. Além da ampliação, a resolução estabelece o procedimento obrigatório de heteroidentificação e define critérios específicos para a confirmação da autodeclaração de indígenas e quilombolas.

LEIA: Anatel reforça infraestrutura e faz novo plano para fiscalizar satélites

O texto aprovado determina que 25% das vagas sejam destinadas a pessoas pretas e pardas, 3% a indígenas e 2% a quilombolas, totalizando 30% de reserva. Ainda há a possibilidade de editais específicos distribuírem até 10% das vagas entre indígenas e quilombolas de forma diversa, desde que o mínimo de 20% para pretos e pardos seja respeitado.

A resolução também prevê regras de redistribuição. Caso não haja candidatos suficientes em algum dos grupos, as vagas serão revertidas sucessivamente para os demais, primeiro entre indígenas e quilombolas, depois para pretos e pardos e, por último, para ampla concorrência.

Em 2023, reportagem mostrou que apenas duas em cada cinco vagas reservadas a pessoas negras em concursos da magistratura estadual haviam sido efetivamente preenchidas. Na Justiça Federal, o número de magistrados aprovados por cota era inexistente.

Para o sociólogo Márcio José de Macedo, professor e coordenador de diversidade da FGV EAESP, a mudança é positiva, mas não deve, sozinha, alterar significativamente a composição do Judiciário. “De maneira geral, apenas o estabelecimento de uma política de cotas não garante que ela será bem-sucedida”, afirma.

Segundo ele, a alta concorrência e os custos de preparação para concursos limitam o acesso de pessoas negras, indígenas e quilombolas. “O universo da magistratura é ainda bastante homogêneo em origens de classe, raça e gênero. A maioria dos juízes, promotores e desembargadores é formada por homens brancos originários das camadas média e alta da sociedade brasileira”, diz.

Macedo acrescenta que muitos candidatos de grupos historicamente marginalizados não veem a carreira jurídica como uma possibilidade, mesmo com cotas. Para ele, a reserva de vagas é necessária, mas só funciona se houver envolvimento institucional no enfrentamento das desigualdades estruturais.

A conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Karen Luise de Souza, apresentou no mesmo dia uma proposta semelhante para o Ministério Público, também elevando a reserva mínima de 20% para 30%, sendo 25% para pessoas negras (pretas e pardas), 3% para indígenas e 2% para quilombolas.

“Esperamos contemplar mais pessoas indígenas e quilombolas e deixar claro o projeto de Ministério Público que se pretende adotar: plural, diverso e espelho da sociedade”, afirma.

Segundo ela, as etapas dos concursos envolvem custos com inscrições, deslocamentos e hospedagens, o que muitas vezes inviabiliza a participação de candidatos de contextos sociais menos favorecidos. Por isso, defende a criação de programas de bolsas para garantir condições de igualdade. “Há uma distância muito grande entre a instituição e o país real”, conclui.

(Com informações de ICL Notícias)
(Foto: Reprodução/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Posts relacionados

TikTok busca autorização para operar como fintech no Brasil

Plataforma quer expandir atuação no país e aguarda aval do Banco Central...

Golpe com ligação falsa da Caixa se espalha

Investigação revela venda de estrutura com spoofing, discador automático e leitura em...

Dia da Mentira expõe avanço de golpes telefônicos no Brasil

Data simbólica reforça alerta para fraudes que usam engano como principal estratégia

Anatel amplia debate sobre regras para big techs no país

Processo busca reunir dados sobre uso intensivo das redes e reforçar proteção...