Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home TI Novo transceptor sem fio alcança velocidade 24 vezes maior que o 5G
TI

Novo transceptor sem fio alcança velocidade 24 vezes maior que o 5G

Tecnologia combina processamento analógico e baixo consumo de energia

147

5G – Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos, desenvolveram um transceptor sem fio experimental capaz de atingir taxas de transmissão de até 120 gigabits por segundo (Gb/s) – o equivalente a aproximadamente 15 gigabytes por segundo (GB/s). O desempenho é cerca de 24 vezes superior ao do 5G mmWave e se aproxima das velocidades oferecidas por conexões de fibra óptica utilizadas em data centers, que costumam operar em torno de 100 Gb/s.

Para efeito de comparação, é importante lembrar que um byte corresponde a oito bits. Com essa taxa de transmissão, seria possível baixar cerca de três filmes em resolução 4K em apenas um segundo, a depender do nível de compressão, ou ainda transferir um jogo de grande porte, como Black Myth: Wukong, com aproximadamente 130 GB, em menos de nove segundos.

LEIA: Dataprev conclui desligamento do último mainframe usado pelo INSS

O equipamento opera na faixa de 140 GHz, superando com ampla margem as tecnologias sem fio atualmente disponíveis no mercado. Enquanto o Wi-Fi 7 promete velocidades teóricas de até 30 Gb/s e o 5G mmWave chega a cerca de 5 Gb/s, o 5G brasileiro – considerado o mais rápido da América Latina – registra velocidade média de 430,8 Mb/s. Nesse cenário, o novo transceptor, com 15 GB/s, seria aproximadamente 277 vezes mais rápido que a melhor rede comercial em operação no país.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em dois artigos publicados no periódico científico IEEE Journal of Solid-State Circuits (JSSC).

Como a tecnologia funciona?

A equipe liderada pelo pesquisador Zisong Wang adotou uma abordagem diferente ao substituir os conversores digitais-analógicos (DACs) convencionais por três subtransmissores sincronizados, o que contribui para uma redução significativa no consumo de energia.

O principal diferencial está no processamento analógico. Em vez de realizar operações complexas no domínio digital, o transceptor executa essas tarefas diretamente no domínio analógico. Essa escolha permite que o chip funcione consumindo apenas 230 miliwatts, enquanto um DAC tradicional capaz de lidar com 120 Gb/s exigiria vários watts de potência.

De acordo com Payam Heydari, diretor do Laboratório de Circuitos Integrados de Comunicação em Nanoescala da UC Irvine, o uso de métodos convencionais tornaria inviável a aplicação da tecnologia em dispositivos móveis, já que a bateria de equipamentos de próxima geração duraria apenas alguns minutos.

O chip foi produzido em silício com processo de 22 nanômetros, utilizando tecnologia de silício sobre isolante totalmente depletado. Trata-se de um método mais simples do que os nós de 2 nanômetros ou 18 angstroms empregados por empresas como TSMC e Samsung, o que pode facilitar a fabricação em larga escala e reduzir custos.

Além disso, os pesquisadores apontam que a solução tem potencial para substituir quilômetros de cabos em data centers, diminuindo despesas com instalação e operação em ambientes de grande concentração de servidores.

Quais são as limitações da tecnologia?

O principal desafio está relacionado ao alcance do sinal. O atual 5G mmWave, que opera em frequências de até 71 GHz, já apresenta cobertura limitada, com alcance em torno de 300 metros. Como o novo transceptor trabalha em frequências ainda mais elevadas, na casa dos 140 GHz, a tendência é que o raio de cobertura seja ainda menor.

Em entrevista ao site Tom’s Hardware, Wang afirmou que a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), assim como entidades responsáveis pelos padrões do 6G, vêm analisando o espectro acima de 100 GHz como a próxima fronteira para as comunicações sem fio.

Apesar do potencial, a adoção em larga escala dependerá do desenvolvimento de novas técnicas para ampliar o alcance do sinal, mitigar interferências e integrar a tecnologia às redes já existentes. Sem avanços nesse sentido, a implementação exigiria uma grande quantidade de estações base de altíssima velocidade, o que tornaria o modelo impraticável em ambientes urbanos.

(Com informações de TecnoBlog)
(Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com)

Posts relacionados

Método reduz ruído quântico e abre caminho para supercomputadores mais estáveis

Avanço reduz interferências em cúbits e melhora a precisão de operações, aproximando...

IA detecta sinais de câncer mais de um ano antes do diagnóstico clínico

Tecnologia identifica sinais iniciais de câncer de pâncreas até 475 dias antes...

IA avança rapidamente no Brasil e traz preocupações sobre soberania

Com projeções de investimentos de US$ 2 trilhões em data centers, especialistas...

TI

Nasa apostou em IA para monitorar saúde e segurança de astronautas na Artemis II

Usada para monitorar astronautas, detectar anomalias e antecipar tempestades solares, IA demonstrou...