IA confiável – Para 96% dos profissionais, ferramentas de inteligência artificial precisam garantir a proteção de dados confidenciais. Outros 94% consideram indispensável que os conteúdos produzidos sejam confiáveis e verificados, enquanto 90% esperam resultados que possam ser explicados e defendidos. Apesar dessas expectativas, 87% afirmam perceber uma diferença significativa entre o que esperam da tecnologia e o que ela efetivamente oferece. Os dados fazem parte do estudo global Future of Professionals 2026, realizado pela Thomson Reuters com mais de 1.800 entrevistados.
Os resultados evidenciam as preocupações dos profissionais com a adoção da inteligência artificial e a maneira como as organizações estão conduzindo esse processo. Segundo o levantamento, 41% dos participantes não possuem acesso a ferramentas profissionais capazes de atender a essas exigências. Na América Latina, 34% dos advogados afirmam utilizar soluções de IA que não foram autorizadas por suas organizações.
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O levantamento relaciona esse comportamento à velocidade de adoção da tecnologia pelas empresas. Entre os entrevistados, 41% consideram que suas organizações estão avançando de forma muito lenta na implementação de IA. Além disso, apenas 48% têm acesso a ferramentas desenvolvidas especificamente para as necessidades do trabalho jurídico.
Nara Almeida, Diretora de Comunicações de Mercados Internacionais da Thomson Reuters, afirmou, em um bate-papo exclusivo, que o avanço da adoção de IA também vem acompanhado do crescimento da chamada Shadow AI e da elevação dos custos relacionados ao consumo de tokens.
“Há desafios com Shadow AI, falta de política, gap de execução, uma falta de estratégia e um vazio de talentos. É importante para as empresas entenderem como as coisas estão mudando muito rápido, porque hoje tem novas demandas tecnológicas, de reposicionar a instituição, de gerar valor. Tudo isso muda bastante”, explica.
João Barbosa, vice-presidente de produtos da Thomson Reuters, complementa: “a preocupação das indústrias, de qualquer segmento, é a assertividade, confiabilidade, governança, o custo e o valor gerado pela IA. Você não vai colocar nada que não faça sentido. Então não é a tecnologia pela tecnologia, é a tecnologia pelo valor que ela gera e que é o mínimo que se espera. As empresas devem entender o que faz sentido para elas e qual a melhor maneira de tirar valor disso.”
IA também influencia decisões de carreira
A falta de ferramentas adequadas pode afetar até mesmo a permanência e a contratação de profissionais. De acordo com o estudo, 26% dos entrevistados considerariam deixar seus escritórios nos próximos dois anos caso a empresa não consiga reduzir a chamada “lacuna de valor” da IA.
O acesso a ferramentas profissionais também aparece como um fator relevante na escolha de um novo emprego. Para 62% dos participantes, essa disponibilidade influenciaria a decisão de aceitar uma nova posição. Entre os profissionais que já utilizam essas soluções, quase um terço afirma que recusaria uma oportunidade de trabalho caso ela não oferecesse acesso à tecnologia.
Mesmo diante desse cenário, quase metade dos executivos em posições de liderança acredita que uma pressão mais significativa sobre a atração e retenção de talentos só deverá ocorrer daqui a pelo menos três anos.
Clientes também cobram resultados
A expectativa em relação à inteligência artificial não parte apenas dos profissionais. O estudo mostra que os clientes também estão pressionando empresas por resultados concretos.
No cenário global, 78% dos clientes corporativos classificam como muito importante ou essencial a melhoria da qualidade proporcionada pela IA. No entanto, somente 6% afirmam que seus fornecedores estão conseguindo entregar esse resultado.
A insatisfação pode provocar mudanças nos contratos e relações comerciais. Nos próximos 12 meses, 32% dos clientes pretendem reavaliar seus fornecedores. Em um terço desses casos, mais de US$ 1 milhão em trabalhos anuais estaria em risco. Considerando os mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos, o levantamento estima que aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas estejam sujeitos a essa reavaliação.
Reforma tributária
Entre os temas que também ganham espaço nas discussões entre executivos está a reforma tributária. Para Almeida, as mudanças devem alterar o papel da área fiscal dentro das organizações, que deixaria de atuar exclusivamente sob uma perspectiva de compliance para assumir uma função mais estratégica junto aos conselhos das empresas.
“Só em tax compliance no Brasil as empresas gastam, em média, 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais. A média global é de aproximadamente 150 horas. A nossa expectativa é que possamos ter soluções mais simples e com valor que diminuam esse tempo, mas há uma demanda muito alta no país e uma sobreposição de modelos que torna essa transição um grande desafio”, explica.
Barbosa também apresentou recomendações para que as empresas se preparem para a transição provocada pela reforma tributária. Na avaliação do executivo, uma das primeiras medidas deve ser revisar e corrigir os cadastros de dados operacionais e fiscais mantidos pelas companhias.
A preparação também envolve a criação de equipes dedicadas à gestão da mudança e a revisão de acordos com fornecedores e das cadeias logísticas. Outro ponto destacado é a criação de ambientes de testes para as soluções que serão utilizadas durante o processo, de forma a preparar tanto as organizações quanto os funcionários.
“É interessante chegar a essa reforma junto com novas tecnologias que ajudam a trilhar o caminho de simplificação e atravessar o momento até a simplificação das soluções e já criar novas capacidades de promoção e de implementação. Não só por causa da reforma, mas porque é algo que já devia estar sendo feito”, conclui.
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(Com informações de TI Inside)
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