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Renda média de R$ 3,7 mil em MS é suficiente apenas para o básico

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Renda média – O rendimento médio de R$ 3.693 por trabalhador em Mato Grosso do Sul, registrado no quarto trimestre de 2025 pelo IBGE, pode ser visto como um patamar de estabilidade, mas não permite “luxos”. Na prática, segundo especialistas, o valor é voltado quase exclusivamente para a manutenção de despesas essenciais.

Para a economista Aline Moreira, a renda média estadual está no limite do necessário. “De acordo com pesquisas do IBGE e da Serasa, o rendimento para ter qualidade de vida no MS estaria na faixa de R$ 3.300 até R$ 4.000. Em tese, essa renda média é suficiente para se ter o básico aqui em Mato Grosso do Sul”, afirma.

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O grande entrave, segundo a especialista, é a impossibilidade de poupar. “O ideal de renda para viver com o básico e pensando em guardar uma parte do valor, uma reserva para imprevistos, seria pelo menos entre R$ 4.000 e R$ 4.500 no Estado”, aponta Aline. Ela ressalta que esse cálculo vale para quem vive sozinho. Para uma família de quatro pessoas, o valor necessário para uma qualidade de vida aceitável saltaria para uma faixa entre R$ 8 mil e R$ 12 mil.

A percepção técnica da economia ganha contornos de dificuldade quando confrontada com o custo de vida real. Por exemplo, a gerente Samara Maria Amorim, de 36 anos, avalia que o valor gera aperto, especialmente devido ao custo de moradia. “Hoje, um aluguel mais barato gira em torno de mil reais. Eu mesma morava em uma casa que era R$ 2.500. Então R$ 3 mil não daria”, afirmou.

Na casa de Samara, a renda é composta pelo trabalho dela, do marido e do filho mais velho, que juntos sustentam outros dois filhos menores. “Só a luz dá em torno de R$ 500 e a água R$ 200, fora a comida. A gente vive com R$ 3.600, mas não vive confortável”, desabafa a gerente, que também acredita que o patamar ideal para quem paga aluguel seria de R$ 5 mil mensais.

Aline Moreira pondera que, embora o cenário seja desafiador, MS ainda leva vantagem sobre grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. “Aqui é possível viver com cerca de metade desse valor (R$ 6.000), muito por conta da qualidade dos serviços públicos e da logística de transporte e abastecimento”, explica. No entanto, ela alerta que a alta no preço dos alimentos e a inflação podem rapidamente corroer esse poder de compra.

A percepção de que o valor é insuficiente é compartilhada pela grande maioria da população. Em enquete realizada pelo Campo Grande News, 88% dos leitores afirmaram que o rendimento médio de R$ 3.693 não é suficiente para manter um padrão de vida confortável em Mato Grosso do Sul. Apenas 12% dos participantes consideraram que o valor é capaz de cobrir as despesas básicas.

(Com informações de Campo Grande News)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/Marcello Casal Jr)

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