Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] | CNPJ: 15.579.279/0001-87
TI

Uso do ChatGPT em planejamento de massacre leva OpenAI a ser investigada

ChatGPT – O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou nesta terça-feira (21) a abertura de uma investigação criminal envolvendo a OpenAI. O foco é o possível envolvimento do ChatGPT no planejamento de um ataque a tiros ocorrido em 2025 na Florida State University (FSU). De acordo com a acusação, a ferramenta teria atuado como um “conselheiro” para o atirador, Phoenix Ikner, ao fornecer detalhes logísticos que poderiam aumentar o número de vítimas.

LEIA: Estudo revela ‘efeito espelho’ em IA que reage com agressividade

IA como cúmplice? A tese da acusação

A apuração se apoia em mais de 200 mensagens retiradas do histórico de conversas do suspeito. Segundo Uthmeier, o ChatGPT não se limitou a responder perguntas sobre armamentos e munições, mas também teria indicado horários de maior circulação no campus e áreas com grande concentração de pessoas como potenciais alvos.

“Se fosse uma pessoa do outro lado daquela tela, nós a acusaríamos de homicídio em primeiro grau”, declarou o procurador durante coletiva em Tampa. A investigação tenta identificar se houve negligência da OpenAI diante de sinais de comportamento de risco ou se falhas no design do sistema permitiram que o suspeito driblasse mecanismos de segurança para obter orientações táticas. “Portanto, vamos analisar quem sabia o quê, quem projetou o quê ou quem deveria ter feito mais”

A defesa da OpenAI e os limites da ferramenta

Em posicionamento oficial, a OpenAI classificou o episódio como uma tragédia, mas rejeitou qualquer responsabilidade criminal. A empresa sustenta que o ChatGPT apenas disponibilizou informações de caráter factual, já acessíveis publicamente, e que não incentivou ações ilegais.

Registros indicam que Ikner chegou a ser banido da plataforma meses antes do ataque, mas conseguiu contornar os sistemas de controle e criar uma nova conta.

Esse ponto levanta dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de monitoramento da empresa, que em dezembro de 2025 havia anunciado reforços na revisão humana de casos com potencial risco de violência.

Um precedente para a responsabilidade do software

O caso ganha relevância por ultrapassar o campo civil — onde familiares das vítimas já consideram ações judiciais de grande valor — e avançar para a esfera criminal.

Pela primeira vez, autoridades tentam equiparar a resposta de um algoritmo a uma forma de auxílio direto em um crime violento. Caso a investigação resulte em indiciamento, poderá abrir caminho para mudanças profundas nas leis de proteção de dados e na responsabilização de plataformas, encerrando a fase em que empresas de tecnologia alegavam neutralidade sobre o uso de suas ferramentas de inteligência artificial.

(Com informações de Hardware)
(Foto: Reprodução/Freepik/syda_productions)

Artigos relacionados

TI

Falha em programa da Meta reacende debate sobre privacidade no treinamento de IA

Programa foi suspenso depois que uma falha permitiu o acesso indevido a...

TI

Nova atualização do Google pode usar mídias no treinamento de IA; saiba como desativar

Mudança nas configurações de privacidade separa controles de histórico e personalização, ativa...

TI

Ataque no npm usa pacote falso para instalar malware em desenvolvedores

Pesquisadores identificam pacotes maliciosos que se passam por ferramentas populares para atingir...

TI

Trabalhadores da Hyundai aprovam greve em reação a robôs na produção

Decisão ocorre após planos de uso de IA e humanoides em fábricas...