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Brasil, Índia e França defendem freios éticos e regulação da IA durante cúpula

Avanço das "big techs" e riscos da desinformação pautaram discursos que defendem a soberania do Sul Global e a mediação da ONU sobre a inovação tecnológica

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Regulação da IA – A revolução digital colocou o mundo em uma encruzilhada ética e política. Este foi o tom predominante na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA), realizada nesta quinta-feira (19) em Nova Délhi, na Índia. O evento, que pela primeira vez ocorreu em um país em desenvolvimento, marcou um movimento de convergência entre Brasil, Índia e França em favor de regras mais rígidas para as chamadas “big techs”.

O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, utilizou o fórum para projetar a Índia como uma potência tecnológica e voz ativa do Sul Global. Enquanto um telão exibia uma tradução em libras gerada por IA, Modi defendeu que a tecnologia deve ser um instrumento de inclusão.

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“A IA deve ser democratizada, ela deve ser um meio de inclusão e empoderamento, especialmente para o Sul Global. Seres humanos não podem ser transformados em dados”, afirmou o primeiro-ministro. “Enquanto alguns enxergam medo na IA, outros veem o futuro. Eu posso dizer com todo o orgulho que a Índia considera que seu futuro está na inteligência artificial”.

No entanto, o otimismo tecnológico foi acompanhado de alertas sobre a concentração de poder. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a ausência de normas pode potencializar riscos que vão de notícias falsas a “robôs de guerra”. Para Lula, o cenário atual reflete desigualdades históricas:

“Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem concentrados em poucos países e empresas”, pontuou. “Quando poucos controlam algoritmos e sistemas de infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.

A perspectiva europeia e o papel da ONU

O presidente francês, Emmanuel Macron, também reforçou a necessidade de estabelecer as “regras do jogo”. Em seu discurso, Macron buscou equilibrar a fama de rigor regulatório da Europa com o incentivo ao setor privado.

“Estamos determinados a moldar as regras do jogo, com nossos aliados e a Índia”, declarou Macron. “A Europa não está cegamente focada em regulação. A Europa é um espaço de inovação e investimento, mas é um espaço seguro”.

Apesar de iniciativas regionais, como parcerias do G7 ou projetos chineses, o governo brasileiro defendeu que o fórum ideal para essa governança é a Organização das Nações Unidas (ONU), visando um modelo que seja “multilateral, inclusivo e orientado ao desenvolvimento”.

Desafios da 4ª revolução industrial

A cúpula evidenciou que o impacto da IA transcende a técnica, atingindo a soberania das nações e a proteção dos direitos humanos. Lula lembrou que o Brasil tem avançado com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e marcos regulatórios para atrair centros de dados, mas reiterou o dilema global:

“Nossas sociedades encontram-se numa encruzilhada. A quarta revolução industrial avança rapidamente, enquanto o multilateralismo recua perigosamente. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual, e nos confronta com questões éticas e políticas”.

O evento em Nova Délhi seguiu com agendas bilaterais intensas, incluindo encontros entre chefes de Estado e lideranças do setor privado, como o CEO do Google, Sundar Pichai, reforçando que o futuro da IA será decidido tanto em gabinetes governamentais quanto nos grandes centros de inovação.

(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik/SohagShantonur)

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