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DeepSeek cresce nos países em desenvolvimento e impulsiona uso de IA

Análise com dados de telemetria mostra que modelos acessíveis e de código aberto impulsionam o uso de IA fora do Norte Global

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DeepSeek – Um relatório divulgado pela Microsoft indica que o DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial que ganhou projeção global há cerca de um ano, vem expandindo sua atuação em países em desenvolvimento e contribuindo para o aumento do uso de ferramentas de IA generativa no mundo. A análise foi feita a partir de dados anonimizados de telemetria coletados em dispositivos.

Segundo o estudo, a adoção global de ferramentas de IA generativa alcançou 16,3% da população mundial nos três meses encerrados em dezembro, acima dos 15,1% registrados no trimestre anterior. Apesar do crescimento, o levantamento aponta que a desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento segue aumentando, com o chamado Norte Global adotando IA em ritmo quase duas vezes superior ao do Sul Global.

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O relatório mostra que países que investiram de forma contínua em infraestrutura digital e inteligência artificial lideram a adoção dessas tecnologias. É o caso de Emirados Árabes Unidos, Singapura, França e Espanha. Parte das conclusões coincide com pesquisa do Pew Research Center divulgada em outubro, que identificou níveis mais elevados de entusiasmo do que de preocupação com IA em países como a Coreia do Sul.

Juan Lavista Ferres, cientista-chefe de dados do AI for Good Lab, da Microsoft, afirmou que a equipe acompanha com atenção o avanço dessa disparidade. Segundo ele, há receio de que a distância entre economias avançadas e emergentes continue se ampliando, mesmo com o aumento geral do uso de IA em escala global.

Código aberto impulsiona DeepSeek

De acordo com os pesquisadores, a expansão do DeepSeek tem sido um dos elementos que favorecem a adoção de IA em regiões em desenvolvimento. Fundada em 2023, a empresa se destacou ao disponibilizar modelos gratuitos e de código aberto, cujos componentes podem ser acessados e adaptados por desenvolvedores.

Em janeiro de 2025, a startup lançou o modelo de raciocínio avançado R1, descrito pela própria empresa como mais econômico do que soluções equivalentes da OpenAI. O lançamento atraiu a atenção da indústria global de tecnologia e reforçou a percepção de que a China vem reduzindo a distância em relação aos Estados Unidos em termos de avanços tecnológicos.

Em setembro, a revista científica Nature publicou um artigo revisado por pares, coassinado pelo fundador do DeepSeek, Liang Wenfeng, classificado como um “artigo marcante”.

Acesso facilitado e tração em mercados sensíveis a preço

O DeepSeek disponibiliza um chatbot gratuito para web e dispositivos móveis e permite que desenvolvedores criem aplicações a partir de seu motor principal. A ausência de taxas de assinatura, segundo o relatório da Microsoft, reduziu barreiras de entrada para milhões de usuários, especialmente em mercados mais sensíveis a preço.

O estudo afirma que a combinação entre abertura e acessibilidade ajudou a empresa a ganhar espaço em regiões pouco atendidas por plataformas ocidentais. Para a Microsoft, a expansão global da IA depende não apenas da qualidade dos modelos, mas também da disponibilidade e do acesso efetivo às ferramentas.

Restrições no Ocidente e forte presença local

Apesar do crescimento em países emergentes, a adoção do DeepSeek permanece limitada na América do Norte e na Europa. Em países como Austrália, Alemanha e Estados Unidos, autoridades buscaram restringir o uso da plataforma por supostos riscos de segurança. A própria Microsoft proibiu seus funcionários de utilizarem a ferramenta no ano passado.

Em contraste, a participação do DeepSeek cresceu de forma significativa na China e em países como Rússia, Irã, Cuba e Belarus, onde serviços dos Estados Unidos enfrentam restrições ou onde o acesso a tecnologias estrangeiras é limitado. Em muitos casos, a popularidade da plataforma está ligada ao fato de ela vir pré-instalada como chatbot padrão em celulares de fabricantes chineses, como a Huawei.

O relatório estima que a participação de mercado da DeepSeek na China chegue a 89%, seguida por Belarus, com 56%, e Cuba, com 49%. Na Rússia, a fatia seria de aproximadamente 43%. Já no Irã e na Síria, os percentuais variam entre 23% e 25%.

Em países africanos como Etiópia, Zimbábue, Uganda e Níger, a participação da DeepSeek fica entre 11% e 14%, mesmo em contextos de adoção geral de IA ainda restrita. Para a Microsoft, o caso ilustra como modelos de IA de código aberto podem atuar como instrumento geopolítico, ampliando a influência chinesa em regiões onde plataformas ocidentais enfrentam dificuldades para operar.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/Frolopiaton Palm)

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