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Desigualdade aparece cedo na carreira das mulheres, revela pesquisa

Profissionais relatam chegar a um “teto” de crescimento quando tentam migrar para cargos de gestão

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Carreira das mulheres – A trajetória profissional das mulheres encontra obstáculos importantes antes mesmo de alcançar os cargos mais altos nas empresas. É o que aponta uma pesquisa da plataforma de empregos InfoJobs, ao indicar que a principal barreira está na transição para funções de gestão, etapa considerada decisiva para o acesso à liderança.

De acordo com o levantamento, quase metade das profissionais (49%) relata enfrentar um “teto de crescimento” ao tentar migrar de cargos técnicos para posições de gestão. Já 20% dizem perceber essa barreira apenas nos níveis mais altos, como diretoria ou cargos executivos. Na prática, os dados sugerem que o avanço feminino desacelera antes do topo da hierarquia corporativa.

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O estudo integra a Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, realizada com 1.022 participantes e divulgada com exclusividade para o g1. A análise reúne percepções sobre carreira, ambiente profissional e oportunidades dentro das empresas.

Do “degrau quebrado” ao topo distante

Especialistas associam esse cenário a dois conceitos recorrentes no debate sobre desigualdade de gênero: o “teto invisível”, que dificulta o acesso aos cargos mais altos, e o “degrau quebrado”, que representa o desafio inicial de conquistar a primeira posição de liderança.

Segundo Hosana Azevedo, gerente de RH do Redarbor, grupo responsável pela InfoJobs, o entrave não está na qualificação das profissionais, mas nas exigências implícitas dessa etapa da carreira.
“Esse é um momento em que as promoções passam a depender menos de entrega individual e mais de visibilidade, networking interno e confiança da liderança, fatores que historicamente favoreceram trajetórias masculinas”.

A dificuldade nessa transição inicial acaba tendo efeito cumulativo. Com menos mulheres avançando para cargos de gestão, a presença feminina diminui progressivamente nos níveis mais altos das organizações.

Baixa presença feminina nos cargos de gestão

Os dados da pesquisa ilustram esse funil. Mais da metade das entrevistadas (54%) afirmou não estar trabalhando atualmente. Entre as que estão no mercado, 21% estão no início da carreira e 17% ocupam funções de especialista ou analista. Já os cargos de liderança têm participação reduzida: 5% atuam em coordenação ou gestão, e apenas 3% chegaram à liderança ou diretoria.

O acesso a projetos estratégicos também aparece como fator relevante para o crescimento profissional. Embora 46% avaliem que a distribuição dessas tarefas ocorre de forma equilibrada, 31% afirmam que mulheres recebem projetos com maior nível de cobrança, e 23% percebem preferência por direcionar iniciativas críticas a homens.

Para Hosana, essa dinâmica impacta diretamente as chances de promoção, já que visibilidade e reconhecimento estão ligados à participação em projetos de maior relevância.

Desigualdades persistentes

O ambiente corporativo também influencia o avanço. Quase metade das mulheres (45%) afirma precisar ter mais cuidado ao se posicionar no trabalho em comparação aos colegas homens. Outras 22% dizem que não há espaço para erros ou discordâncias quando se trata de mulheres. Apenas um terço (33%) relata sentir o mesmo nível de liberdade.

A percepção de que ainda há lacunas nas políticas internas das empresas é majoritária: 78% das entrevistadas acreditam que temas como igualdade salarial, apoio à dupla jornada e oportunidades iguais não recebem atenção necessária.

Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor, a ausência de ações concretas pode afetar diretamente os resultados das organizações.

“As empresas precisam traduzir equidade em ações concretas. Quando as mulheres percebem que seus direitos e oportunidades são tratados de forma superficial, o resultado aparece em diferentes dimensões da organização, como menor retenção, queda de engajamento e enfraquecimento da confiança institucional”.

Desafios ao longo da carreira e perspectivas

O estudo também aponta que os desafios tendem a se intensificar ao longo da carreira, especialmente a partir dos 30 anos. Nesse período, muitas mulheres tentam avançar profissionalmente enquanto lidam com decisões pessoais, como a maternidade.

“As mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e ao cuidado familiar em comparação aos homens, o que ainda influencia a percepção de disponibilidade para cargos de gestão”.

Além disso, áreas tradicionalmente masculinas, como tecnologia, engenharia e indústria, apresentam barreiras adicionais. A desigualdade também se intensifica quando se considera mulheres de grupos minorizados: 62% das entrevistadas avaliam que há oportunidades, mas ainda desiguais, enquanto apenas 19% enxergam distribuição equivalente.

Entre os caminhos possíveis, especialistas destacam a importância de processos de promoção mais claros, com critérios objetivos, além de iniciativas como mentoria e programas de desenvolvimento voltados à liderança feminina.

Apesar dos obstáculos, metade das mulheres ouvidas (50%) demonstra otimismo em relação ao futuro, com expectativa de avanços em igualdade salarial e oportunidades. Por outro lado, 30% não esperam mudanças significativas, e 21% têm uma visão pessimista.

“Esse dado mostra que existe expectativa de mudança, e cabe às empresas transformar essa expectativa em práticas concretas de desenvolvimento, visibilidade e acesso à liderança”, conclui Hosana.

(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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