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Empresa brasileira é premiada pelo MIT por IA que aponta risco de câncer

Startup utiliza inteligência artificial para analisar exames laboratoriais de rotina e estimar riscos de câncer em larga escala

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Empresa brasileira é premiada – Uma startup brasileira especializada em inteligência artificial aplicada à área da saúde, a Huna, foi uma das vencedoras do MIT Solve Future Health 2026, programa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) voltado à identificação de soluções inovadoras para desafios globais. A iniciativa selecionou cinco finalistas entre 393 empresas de 68 países, e a Huna figurou entre as três vencedoras ao lado da ThinkMD e da VectorCam.

O resultado foi divulgado durante a semana da Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em Genebra, onde a empresa brasileira teve a oportunidade de apresentar sua tecnologia para representantes e lideranças internacionais do setor de saúde.

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No mesmo período, a startup também levou três estudos ao ASCO Annual Meeting 2026, realizado em Chicago e reconhecido como o mais importante congresso de oncologia do mundo. As pesquisas analisaram o uso de inteligência artificial para identificar riscos de câncer de pulmão, próstata e mama por meio de exames laboratoriais rotineiros.

Tecnologia baseada em exames de rotina

A proposta da Huna consiste em utilizar dados de hemogramas e outros exames sanguíneos já realizados pelos pacientes para estimar o risco de desenvolvimento de câncer em grandes grupos populacionais. A empresa mantém parcerias com o Grupo Fleury e com o Hospital de Amor, em Barretos, e afirma possuir uma base superior a 5 milhões de exames analisados.

Atualmente, suas soluções abrangem os principais tipos de câncer para os quais existe recomendação de rastreamento por entidades médicas: mama, colorretal, pulmão, próstata e colo do útero.

Segundo Marco Kohara, cofundador e COO da empresa, o reconhecimento obtido no MIT tem relevância que vai além da premiação. “É uma vitória e um reconhecimento de que o que estamos fazendo tem sentido, tem um propósito, e que a chance de gerar um impacto positivo no Brasil e no mundo é muito grande”, afirma.

Resultados apresentados nos estudos

Um dos trabalhos apresentados avaliou o risco de câncer de pulmão utilizando informações de 53.093 pacientes atendidos pelo Grupo Fleury. De acordo com a Huna, o modelo foi capaz de identificar 67,6% dos casos ao direcionar o rastreamento para 34,4% da população analisada. Os resultados foram divulgados pela própria empresa e ainda não contavam com validação independente até a publicação desta reportagem.

Na pesquisa voltada ao câncer de próstata, foram avaliados dados de 2.978 homens com idade entre 45 e 75 anos atendidos em sete redes laboratoriais do Grupo Fleury. O modelo utilizou informações como PSA total, PSA livre, densidade do PSA obtida por ultrassonografia e idade dos pacientes. Segundo a empresa, a ferramenta alcançou valor preditivo negativo de 0,98 e reduziu em 35,1% os falsos positivos quando comparada aos critérios tradicionais baseados apenas no PSA.

Já o estudo desenvolvido em parceria com o Hospital de Amor analisou cinco marcadores laboratoriais em um grupo de 236 mulheres para avaliação de risco de câncer de mama. O modelo registrou AUC de 0,72, desempenho que a companhia considera superior ao obtido com o uso isolado do hemograma.

Modelo combina análise e engajamento

A estratégia comercial da Huna está estruturada em duas frentes principais. A primeira é a geração de mapas de risco capazes de tornar os programas de rastreamento mais eficientes. A segunda consiste em uma camada de engajamento destinada a incentivar os pacientes priorizados a realizar exames e buscar diagnóstico.

“A nossa tecnologia já se aproveita de um dado existente no sistema de saúde. A gente não gera demanda para novos exames e, consequentemente, novos dados. Passada essa fase, a gente não gera custo adicional para o sistema”, afirma Kohara.

A geração das pontuações de risco ocorre a partir de dados anonimizados. Já a etapa de contato com os pacientes depende de acordos específicos com instituições parceiras e segue protocolos de segurança da informação estabelecidos com operadoras de saúde e órgãos públicos.

A startup conduz atualmente dois projetos-piloto no setor público, um em parceria com o Hospital de Amor, em Barretos, e outro com a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. No projeto desenvolvido em Barretos, agentes de saúde ligados às Unidades Básicas de Saúde utilizarão os mapas de risco para definir prioridades no contato com pacientes que precisam realizar exames preventivos.

Em 2026, a empresa também lançou uma plataforma automatizada integrada ao WhatsApp. O serviço convida pacientes classificados como de maior risco a realizar exames, encontrar laboratórios próximos e agendar consultas com especialistas credenciados.

Investimentos e planos de expansão

Segundo informações fornecidas pela própria empresa, a Huna captou aproximadamente US$ 2,4 milhões em investimentos privados por meio de rodadas pré-seed e de extensão. Além disso, recebeu cerca de US$ 500 mil em recursos de fomento provenientes da Fapesp, do CNPq e da Bayer.

Entre os apoiadores da startup está a KX Ventures, braço de venture capital formado por Fleury, Bradesco e Sabin.

A expectativa da companhia é ultrapassar R$ 400 mil de faturamento mensal em 2027. Para Kohara, o principal desafio está em transformar projetos-piloto e provas de conceito em contratos permanentes. “Nossa dificuldade é fazer com que as provas de conceito que a gente tem apresentado com os nossos parceiros de fato virem uma parceria recorrente”, afirma.

Nos próximos anos, a Huna pretende expandir suas soluções para câncer colorretal, de pulmão, próstata e colo do útero, além de desenvolver ferramentas voltadas ao diagnóstico e ao acompanhamento do risco de recidiva da doença. A empresa também iniciou conversas relacionadas à expansão internacional, embora ainda não tenha divulgado um cronograma para essa etapa.

(Com informações de IT Fórum)
(Foto: Reprodução/Magnific/wavebreakmedia_micro)

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