Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected]
Home Notícias Nova técnica desenvolvida por brasileiros aprimora previsão de deslizamentos
Notícias

Nova técnica desenvolvida por brasileiros aprimora previsão de deslizamentos

Novo método estatístico identifica áreas de risco com maior precisão e foi testado em São Sebastião

106

Deslizamentos – Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolveram um método capaz de prever deslizamentos de terra com mais precisão no município de São Sebastião, no litoral norte paulista. A proposta busca diminuir incertezas na análise de risco e aproximar o diagnóstico do comportamento real desses eventos.

Segundo o estudo, mesmo municípios com poucos recursos podem aplicar a técnica, já que ela utiliza ferramentas estatísticas acessíveis. A abordagem foi detalhada em publicação no Scientific Reports.

LEIA: Rede elétrica gigante e custo reduzido: o trunfo chinês para superar os EUA em IA

A pesquisa comparou o método tradicional de análise, baseado na avaliação subjetiva de especialistas sobre fatores como inclinação, proximidade de rios e tipo de solo, com uma versão estatística chamada AHP Gaussiano.

Enquanto o modelo convencional faz comparações diretas entre os fatores, o AHP Gaussiano utiliza a curva de Gauss para definir o peso de cada variável de forma objetiva.

Entre os elementos considerados estão:

• Elevação e inclinação de encostas
• Distância de rios, estradas e outras estruturas
• Tipos de solo e cobertura vegetal
• Padrões de ocupação urbana

De acordo com os autores, isso permite produzir mapas de risco mais precisos e confiáveis. A pesquisadora Cláudia Maria de Almeida, do Inpe, integra a equipe responsável pelo estudo.

Validação em São Sebastião

Para testar a metodologia, os pesquisadores analisaram imagens aéreas de alta resolução – com detalhe de 10 centímetros – e complementaram o levantamento com registros do Google Earth e PlanetScope. Foram identificadas 983 coroas de deslizamento e 1.070 cicatrizes.

O AHP Gaussiano classificou 26,31% da área como de risco muito alto, contra 23,52% do método tradicional. O ganho, mesmo discreto numericamente, aproxima os resultados das condições reais observadas, destaca Rômulo Marques-Carvalho, doutorando do ICMC-USP e autor principal da pesquisa.

Aplicações além dos deslizamentos

Os pesquisadores explicam que a técnica também pode ajudar a identificar outros tipos de vulnerabilidade ambiental, como risco de incêndios, desmatamento, rebaixamento do solo e desertificação.

Com a intensificação de eventos extremos provocada pelas mudanças climáticas, observa André Ferreira de Carvalho, orientador do trabalho, ferramentas como o AHP Gaussiano tendem a se tornar ainda mais relevantes.

Marques-Carvalho reforça que a aplicação é simples: basta que prefeituras tenham acesso a dados geoespaciais básicos e utilizem um computador comum com o software livre QGIS para processar os mapas de risco.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)

Posts relacionados

Embraer firma acordo com grupo indiano para fabricação de aeronaves

Acordo prevê linha de montagem, cooperação industrial e geração de empregos no...

WhatsApp, Instagram e Facebook devem ganhar versões pagas em breve

Empresa planeja oferecer recursos premium, mais ferramentas de IA e opção sem...

Novo surto do vírus Nipah acende alerta global com alta taxa de mortalidade

Letalidade do vírus Nipah pode chegar a 75% dos casos, com centenas...

Golpistas exploram pagamentos do Banco Master e FGC emite alerta

Criminosos simulam contatos oficiais e pedem dados ou pagamentos indevidos