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Robôs ganham ‘escolas’ e começam a ser treinados como alunos na China

País investe em centros especializados para ensinar máquinas a executar tarefas do cotidiano e acelerar uso de robôs humanoides na indústria

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Robôs ganham escolas – A China iniciou uma nova etapa no desenvolvimento de robôs humanoides ao criar centros de treinamento dedicados a preparar essas máquinas para tarefas do cotidiano. A iniciativa, que já se espalha por diversas regiões do país, busca acelerar a aplicação prática da tecnologia em setores como indústria, logística e serviços.

Nos últimos anos, robôs humanoides deixaram de ser apenas protótipos exibidos em eventos tecnológicos e começaram a ser direcionados para ambientes reais de trabalho. Como parte dessa mudança, o país passou a investir em estruturas especializadas onde essas máquinas são treinadas de forma semelhante a estudantes, repetindo atividades até alcançar maior precisão e eficiência.

Expansão de centros e estratégia nacional

A criação desses espaços faz parte de um plano mais amplo da China para transformar robôs humanoides em ferramentas viáveis para o mercado. Conhecidos informalmente como “escolas de robôs”, os centros ensinam tarefas básicas que podem ser aplicadas em ambientes industriais e logísticos.

O movimento ganhou força após uma apresentação de robôs humanoides em um grande evento nacional no início do ano, que evidenciou o avanço tecnológico do país. Desde então, províncias como Anhui, Zhejiang e Shandong passaram a investir na criação dessas estruturas.

Em um dos centros localizados em Shandong, dezenas de robôs já são treinados para executar atividades como carregar bandejas, dobrar roupas e retirar objetos de prateleiras, tarefas simples, mas consideradas essenciais para a adaptação ao mundo real.

O desafio de ensinar máquinas a agir no mundo físico

Diferentemente de sistemas tradicionais de inteligência artificial, treinados com textos e imagens disponíveis na internet, robôs humanoides dependem de dados físicos gerados por interação direta com o ambiente.

Esse processo envolve informações detalhadas como movimentos das articulações, velocidade, percepção visual, pressão, contato e força aplicada em objetos. Como esses dados não estão disponíveis em bases digitais, precisam ser produzidos em ambientes controlados.

Para isso, a China construiu uma ampla infraestrutura dedicada à coleta dessas informações. Até o final do ano passado, mais de 40 centros haviam sido estabelecidos, sendo 24 já em operação.

Nesses espaços, robôs e operadores humanos trabalham juntos repetindo tarefas inúmeras vezes, enquanto cada movimento é registrado com precisão para alimentar sistemas de aprendizado.

Ambientes simulam situações reais

Parte dos centros foi projetada para reproduzir cenários do cotidiano. Um exemplo é a instalação da empresa Leju, em Shijiazhuang, na província de Hebei.

Com cerca de 900 metros quadrados, o local inclui simulações de linhas de montagem automotivas, casas inteligentes e ambientes voltados ao cuidado de idosos. Ao todo, 16 programas de treinamento estão em funcionamento.

Entre as atividades praticadas estão devolver caixas vazias, separar materiais e embalar produtos. Em alguns casos, os robôs utilizam tecnologias como realidade virtual e captura de movimento para aprimorar o aprendizado.

A produção de dados é intensa: apenas esse centro gera cerca de 6 milhões de registros por ano, o maior volume registrado no país. Com isso, os robôs já adquiriram mais de 20 funções diferentes e atingem taxas de sucesso de até 95%.

Outro centro, na província de Hubei, utiliza cerca de 100 robôs humanoides para repetir tarefas domésticas e industriais, como dobrar roupas, passar peças e limpar mesas centenas de vezes.

Avanço rumo à aplicação industrial

Especialistas apontam que esse tipo de treinamento é fundamental para que a robótica humanoide evolua além da fase experimental. Segundo Li Chao, diretor de tecnologia da empresa Deep Robotics, o progresso depende da exposição das máquinas a situações reais.

O apoio do governo chinês também tem sido decisivo, incentivando a adoção da tecnologia em diferentes setores. Os resultados começam a aparecer: centros de coleta de dados em províncias como Jiangxi, Guangxi e Sichuan contribuíram para a venda de robôs humanoides no valor de 566 milhões de yuans para a empresa UBTECH Robotics.

Primeiros setores a adotar robôs humanoides

Embora ainda estejam em estágio inicial, os robôs humanoides devem começar a ser utilizados em áreas com tarefas repetitivas e fisicamente exigentes.

Entre os setores mais promissores estão fábricas automotivas, centros de logística e armazéns industriais. Nesses ambientes, as máquinas poderão atuar no transporte de materiais, organização de produtos e apoio em processos de montagem.

Se o ritmo de desenvolvimento continuar, os centros de treinamento criados atualmente podem representar um passo decisivo para a integração dos robôs humanoides ao mercado de trabalho no futuro.

(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Freepik/Imagem gerada por IA)

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