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Alta no custo de vazamentos de dados força empresas brasileiras a rever governança

Valor médio por ocorrência amplia debate sobre governança, seguros, contratos e uso de IA na proteção corporativa

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Vazamentos de dados – O impacto financeiro médio de um vazamento de dados no Brasil alcançou R$ 7,19 milhões em 2025, após alta anual de 6,5%. O avanço do indicador reforça a pressão sobre organizações que ainda encaram a segurança da informação como custo operacional, e não como pilar de continuidade dos negócios. O tema passa a influenciar decisões de orçamento, apólices de seguro, contratos com terceiros e estruturas de governança.

O valor médio por incidente vai muito além da área de tecnologia. A conta inclui despesas com investigação forense, paralisações operacionais, acionamento jurídico, reconstrução de ambientes digitais, gestão de crise e perdas comerciais que podem se estender por meses.

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Em 2025, a discussão ganha complexidade adicional com a disseminação de inteligência artificial e automação nos processos corporativos, usadas tanto para reforçar defesas quanto para potencializar ataques, com fraudes mais sofisticadas e ações em larga escala.

Na prática, o custo de vazamentos de dados no Brasil se consolida como indicador relevante para conselhos e auditorias, ao evidenciar fragilidades de governança, dependência de fornecedores e falhas de controle. O debate deixa de girar em torno da possibilidade do incidente e passa a focar no tempo necessário para detectar, conter e recuperar sistemas comprometidos.

Setores mais impactados

Os efeitos financeiros não se distribuem de forma uniforme entre os setores. Saúde, finanças e serviços concentram os maiores custos médios por incidente, impulsionados pela sensibilidade das informações tratadas, exigências regulatórias mais rigorosas e maior risco reputacional.

No recorte setorial, o segmento de saúde lidera, com prejuízo médio superior a R$ 11 milhões, seguido por finanças e serviços, ambos com valores que chegam a múltiplos milhões por ocorrência.

O cenário reforça que, quanto maior o volume de dados pessoais, financeiros e registros operacionais críticos, maior a chance de uma violação gerar impactos sistêmicos, como disputas judiciais, revisão de contratos e reavaliação de riscos por seguradoras.

Vetores de ataque que mais pesam no bolso

Em 2025, o phishing segue entre os principais pontos de entrada para incidentes no país, respondendo por parcela significativa dos casos analisados e apresentando custo médio próximo ao índice nacional. Ataques à cadeia de suprimentos e exploração de vulnerabilidades também ganham destaque, especialmente quando envolvem fornecedores com acessos privilegiados.

O ransomware continua figurando como risco operacional relevante. Mesmo em ambientes com backups disponíveis, os custos costumam migrar para interrupções de serviço, negociações, restaurações emergenciais e reforço de controles sob pressão. Como resultado, empresas que operam com baixa redundância e pouca capacidade de isolamento rápido tendem a registrar prejuízos mais elevados.

Governança e IA: ganhos ainda pouco explorados

O levantamento também revela um contraste importante. Organizações que adotaram automação segura e uso mais amplo de IA para apoiar a segurança relataram custos médios menores do que aquelas com adoção limitada ou inexistente dessas tecnologias.

Apesar disso, soluções de governança associadas ao uso de IA ainda têm presença reduzida entre empresas brasileiras analisadas, mesmo aparecendo como fator de mitigação de perdas.

O ponto central não está apenas na aquisição de ferramentas, mas na aplicação de governança efetiva: mapeamento de dados e modelos, controle de acessos, trilhas de auditoria, critérios claros para uso de IA, incluindo mitigação de práticas de “shadow AI”, e integração com a gestão de riscos corporativos.

Novas prioridades de segurança

Sob a vigência da LGPD, um vazamento gera obrigações formais, como avaliações de impacto, comunicações regulatórias quando aplicável e demonstração de medidas de segurança adotadas. Mesmo sem penalidades diretas, há reflexos frequentes no mercado, como multas contratuais, exigências de notificação, auditorias adicionais e imposição de controles mais rígidos para manutenção de parcerias.

Diante desse cenário, o aumento do custo de vazamentos de dados no Brasil redefine prioridades em segurança da informação, com foco em treinamento contínuo, segmentação de redes, gestão de identidades, fortalecimento de ambientes, resposta coordenada a incidentes e acompanhamento de métricas pela alta liderança.

O que realmente reduz perdas

Empresas que conseguem limitar danos costumam compartilhar um mesmo padrão: preparação prévia para crises. Isso envolve planos de resposta a incidentes testados, definição clara de responsabilidades, simulações com equipes jurídicas e de comunicação e contratos prévios com especialistas em forense e contenção.

A isso se soma uma política rigorosa de gestão de terceiros, já que falhas na cadeia de suprimentos ampliam custos e complexidade de resposta.

Com isso, a segurança deixa de ser tratada como projeto pontual de TI e passa a integrar a disciplina de continuidade e proteção reputacional. Organizações que reduzem o tempo de detecção e contenção tendem, de forma consistente, a reduzir também o impacto financeiro total – resultado de governança operacional, e não de acaso.

(Com informações de It Show)
(Foto: Reprodução/Freepik/EyeEm)

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