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Cristais de memória podem mudar o futuro dos data centers

Pesquisadores exploram métodos como a gravação de dados em vidro e o uso de DNA para garantir um futuro sustentável para a memória digital

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Cristais de memória – A voracidade da era digital impôs um desafio monumental à humanidade: o que fazer com a quantidade insaciável de dados que produzimos? A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações anualmente. Enquanto imaginamos que esses dados flutuam de forma etérea “na nuvem”, a realidade física é muito mais densa – e custosa.

Atualmente, centros de dados operam como estruturas gigantescas, consumindo energia massiva para processamento e refrigeração. Estima-se que estes locais representem cerca de 1,5% da demanda mundial de eletricidade, um número que pode duplicar até 2030, acompanhado por emissões significativas de CO₂. Com a ascensão da IA generativa, a demanda por sistemas de alto rendimento acelerou a urgência por alternativas.

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Diante desse cenário, pesquisadores buscam soluções inovadoras. Entre as mais promissoras estão os “cristais de memória”, uma tecnologia que remonta a uma descoberta acidental ocorrida há 27 anos.

Durante uma visita ao Japão em 1999, o pesquisador Peter Kazansky, hoje professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, observou um fenômeno incomum ao testar lasers ultrarrápidos em vidro. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física”, afirma Kazansky.

O fenômeno, que provocou um “autêntico momento Eureka”, revelou a criação de nanoestruturas invisíveis ao olho humano dentro do vidro de sílica, geradas por “microexplosões”. A técnica permite gravar dados em cinco dimensões, utilizando a orientação e intensidade da luz, além das coordenadas tridimensionais, possibilitando um armazenamento de alta densidade.

Esses cristais de memória, segundo o pesquisador, possuem vantagens estruturais: não exigem energia para a manutenção dos dados e podem durar, teoricamente, para sempre, graças à estabilidade térmica do vidro de sílica fundida. A empresa SPhotonix, fundada por Kazansky em 2024, já articula testes de protótipos em centros de dados.

Enquanto a tecnologia de vidro avança, outra frente explora a própria base da vida. O uso de DNA para armazenamento, proposto inicialmente pelo físico soviético Mikhail Samoilovich Neiman em 1964, ganha força por sua eficiência e longevidade.

“Teoricamente, um único grama de DNA poderia armazenar até 215 petabytes (PB) de dados, por milhares de anos”, explica o professor Thomas Heinis, do Imperial College de Londres. O processo converte bytes digitais em bases nitrogenadas (A, T, C e G). Embora promissor, o alto custo da síntese do DNA ainda se apresenta como o principal obstáculo comercial.

Embora inovações como o vidro e o DNA sejam atraentes, especialistas ponderam sobre a viabilidade imediata. A professora Tania Malik, da Universidade Tecnológica de Dublin, ressalta que estas tecnologias dificilmente substituirão o armazenamento convencional para a informática cotidiana no curto prazo.

Para Malik, a solução passa por uma abordagem multifacetada: melhorar a eficiência da infraestrutura existente, como a refrigeração líquida, adotar algoritmos com consciência energética e, fundamentalmente, questionar a necessidade de conservar cada byte produzido. “Cada vez mais, parte da solução consiste em termos mais propósito em relação ao que decidimos conservar”, conclui.

(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik/3DdarkZone)

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