Horário de Atendimento: Das 9h as 15h | Sede: (67) 3321-2836 | [email protected] I CNPJ: 15.579.279/0001-87
Home Notícias Fim da escala 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, aponta Datafolha
Notícias

Fim da escala 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, aponta Datafolha

Levantamento mostra aumento no apoio ao fim da escala 6x1, sendo a maioria dos brasileiros favorável à pauta em todos os recortes

8

Fim da escala 6×1 – A maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, proposta que está em debate no Congresso Nacional. Pesquisa do Datafolha aponta que 71% dos entrevistados defendem a redução do número máximo de dias de trabalho na semana no país, enquanto 27% são contrários e 3% não souberam opinar.

O apoio à mudança aumentou em relação ao levantamento anterior do instituto, realizado entre 12 e 13 de dezembro de 2024, quando 64% se manifestaram a favor da medida e 33% eram contrários. As entrevistas mais recentes foram feitas entre 3 e 5 de março.

LEIA: Fim da escala 6×1 acaba com atraso histórico, diz presidente do Sebrae

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já indicou que, embora o debate tenha se popularizado com a expressão “fim da escala 6×1”, a prioridade é reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. A posição foi apresentada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

“A lei tem que estabelecer a redução de jornada sem redução de salário, e a grade, com dois dias de descanso na semana, deve ser definida pelas negociações”, disse o ministro.

O posicionamento representa uma flexibilização em relação à proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas por meio de uma proposta de emenda à Constituição.

Diferenças entre perfis de trabalhadores

Entre os entrevistados economicamente ativos, o levantamento mostra divisão quase equilibrada entre quem trabalha até cinco dias por semana (53%) e aqueles que trabalham seis ou sete dias (47%).

Apesar de poderem ser diretamente beneficiados pelo fim da escala 6×1, os trabalhadores que atuam seis dias ou mais demonstram menor apoio à mudança: 68% são favoráveis à medida. Entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana, o apoio chega a 76%.

VEJA: Fim da escala 6×1 pode reduzir desigualdade de gênero no mercado de trabalho

Segundo a pesquisa, uma das explicações para essa diferença é a maior presença de autônomos e empresários no grupo que afirma trabalhar mais dias por semana. Para eles, jornadas mais longas podem significar aumento de renda. Já entre os que trabalham até cinco dias, há maior presença de funcionários públicos, cuja remuneração geralmente não varia com a duração da jornada.

Em relação à carga horária diária, 66% dos entrevistados afirmam trabalhar até oito horas por dia, 28% trabalham entre mais de oito e até 12 horas, e 5% dizem trabalhar mais de 12 horas. Outros 1% não souberam responder.

Impactos para empresas e economia

Quando questionados sobre os efeitos da redução da jornada para as empresas, os entrevistados se dividiram: 39% acreditam que os impactos serão positivos e outros 39% avaliam que serão negativos. No levantamento anterior, realizado em dezembro de 2024, uma parcela maior – 42% – apontava para efeitos negativos.

Especialistas também divergem sobre os possíveis impactos da medida na economia brasileira. Estudos setoriais apontam aumento de custos para empresas, redução do Produto Interno Bruto (PIB) e eliminação de vagas formais. Outras análises indicam que não haveria desemprego significativo e que eventuais custos adicionais ocorreriam apenas uma vez, podendo ser diluídos com planejamento.

RELACIONADA: Impacto do fim da escala 6×1 seria semelhante a reajustes do salário mínimo, mostra Ipea

Para os trabalhadores, no entanto, a percepção é majoritariamente positiva. Segundo o Datafolha, 76% acreditam que a redução da jornada terá efeito ótimo ou bom para a qualidade de vida. Entre quem trabalha até cinco dias por semana, esse índice chega a 81%, enquanto entre aqueles que trabalham seis ou sete dias é de 77%.

Quando a pergunta se refere ao impacto para a economia brasileira como um todo, 50% acreditam que o fim da escala 6×1 terá efeitos ótimos ou bons, enquanto 24% preveem impacto ruim ou péssimo.

Já sobre os efeitos pessoais da mudança, 68% avaliam que seriam positivos. Entre trabalhadores que atuam seis ou sete dias por semana, 65% acreditam em impacto pessoal favorável, enquanto entre os que trabalham até cinco dias o índice sobe para 74%.

Tempo para descanso e lazer

O levantamento também investigou a percepção sobre o tempo disponível para descanso e lazer. Para 49% dos entrevistados, o tempo atual é suficiente, enquanto 43% dizem que ele é insuficiente. Outros 8% afirmam ter mais tempo do que o necessário para lazer.

Entre aqueles que trabalham seis ou sete dias por semana, 59% consideram que têm pouco tempo para descanso, o dobro do registrado entre trabalhadores com jornada de até cinco dias, grupo no qual 29% relatam insuficiência de tempo.

Influência de política, religião e idade

A pesquisa aponta que o apoio à redução da jornada também varia conforme preferências políticas. Entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, 55% são favoráveis ao fim da escala 6×1 e 43% são contrários. Já entre os eleitores de Lula, 82% apoiam a medida, enquanto 16% são contrários. A margem de erro nesse recorte é de quatro pontos percentuais.

A avaliação sobre os impactos econômicos também segue essa divisão: 63% dos eleitores de Lula acreditam que a mudança terá efeitos positivos para a economia, enquanto entre os eleitores de Bolsonaro esse percentual é de 37%.

No recorte religioso, 69% dos católicos apoiam o fim da escala 6×1, enquanto entre evangélicos o índice é de 67%. A pesquisa também indica que pessoas que frequentam mais a igreja tendem a apoiar menos a redução da jornada: entre os que frequentam cultos ou missas mais de uma vez por semana, 63% são favoráveis, contra 81% entre aqueles que frequentam apenas uma vez por ano.

Entre as faixas etárias, o apoio é maior entre os mais jovens. No grupo de 16 a 24 anos, 83% defendem o fim da escala 6×1. Entre entrevistados de 35 a 44 anos, o percentual é de 75%, e entre pessoas com 60 anos ou mais cai para 55%. A margem de erro nesse recorte é de cinco pontos percentuais.

O levantamento também aponta diferença entre gêneros: 77% das mulheres apoiam o fim da escala 6×1, enquanto entre os homens o índice é de 64%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

(Com informações de Folha de S. Paulo)

(Foto: Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Posts relacionados

Setor de serviços tem crescimento recorde impulsionado pela TI

Atividades ligadas à economia digital lideraram o desempenho do setor, que já...

Anatel volta a debater taxa a big techs para custear infraestrutura de redes

Consulta busca reunir dados sobre uso das redes e possíveis obrigações para...

Feito em 1897, filme pioneiro sobre robô que se rebela contra criador é restaurado

Curta-metragem de Georges Méliès, desaparecido por décadas, mostra uma das primeiras representações...

Senado aprova projeto que obriga empresas a divulgar direito a folga para exames

Medida prevê que empresas divulguem campanhas de vacinação contra HPV e prevenção...