Hacker – A atuação de uma hacker ética foi decisiva para evitar um possível ataque a uma escola no município de Santo Antônio do Aracanguá, no interior de São Paulo. A investigação digital foi conduzida por Vitória Okida, de 25 anos, em parceria com amigas que monitoram ambientes virtuais, e levou à intervenção do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O caso envolve um adolescente de 17 anos, morador de Araçatuba, que estaria planejando uma ação violenta por meio de plataformas online associadas a grupos extremistas. Vitória recebeu indícios de que o jovem fazia ameaças e, diante da gravidade do conteúdo, decidiu aprofundar a apuração para verificar a veracidade das informações.
LEIA: WhatsApp, Instagram e Facebook devem ganhar versões pagas em breve
Após alguns dias de monitoramento, a hacker confirmou que o adolescente participava de um grupo extremista conhecido como “Salvacion”. Mensagens trocadas no ambiente virtual indicavam a intenção de cometer um ataque contra uma unidade escolar, o que caracterizou, segundo a investigadora, a existência de um planejamento concreto.
Diante da confirmação, todo o material coletado foi encaminhado às autoridades policiais. A denúncia resultou na atuação do Gaeco, que cumpriu mandado de busca e apreensão no dia 10 de dezembro contra o adolescente.
Durante as diligências, os policiais apreenderam todos os aparelhos eletrônicos do menor e encontraram aproximadamente 1 terabyte de arquivos contendo pornografia infantil. De acordo com a investigação, o material estaria sendo comercializado. O jovem foi identificado após o rastreamento de uma chave Pix utilizada para receber pagamentos ilícitos relacionados ao conteúdo criminoso.
O adolescente permanece sob monitoramento das autoridades, enquanto as investigações continuam para apurar a extensão dos crimes e a possível participação de outras pessoas.
Grupos extremistas na internet
O episódio reacende o alerta sobre a atuação de grupos extremistas no aliciamento de adolescentes em ambientes digitais. Essas organizações utilizam fóruns fechados, plataformas criptografadas e redes sociais para disseminar discursos de ódio, violência e crimes graves.
Segundo especialistas, esses grupos costumam explorar fragilidades emocionais, isolamento social e conflitos pessoais para promover a radicalização de jovens. As investigações envolvendo esse tipo de organização já vinham sendo conduzidas pelas forças de segurança, inclusive após ameaças direcionadas a uma delegada responsável pelo acompanhamento desses grupos, o que intensificou o monitoramento policial no ambiente virtual.
O trabalho de Vitória Okida reforça a importância da denúncia responsável e da vigilância digital preventiva como ferramentas essenciais no combate a crimes virtuais e na proteção de crianças e adolescentes. Autoridades destacam que qualquer sinal de ameaça deve ser comunicado imediatamente aos órgãos competentes.
Alerta aos pais e responsáveis
Ao comentar o caso, Vitória Okida deixou um alerta direto aos pais e responsáveis por adolescentes, destacando a necessidade de acompanhamento da vida digital dos filhos.
Segundo ela, muitos grupos extremistas e criminosos atuam de forma silenciosa em aplicativos de mensagens, como WhatsApp, Telegram e fóruns fechados, utilizando linguagem disfarçada para atrair jovens.
“Os pais precisam entender que o celular não é apenas um meio de conversa. É uma porta de entrada para grupos perigosos. Acompanhar, conversar e orientar os filhos sobre com quem eles falam e o que consomem na internet pode evitar tragédias”, alertou.
Vitória também ressaltou que mudanças bruscas de comportamento, isolamento excessivo, discursos de ódio ou fascinação por violência devem servir como sinais de atenção. “Não é invasão, é proteção. O diálogo e a presença dos pais no ambiente digital dos adolescentes fazem toda a diferença”, completou.
As autoridades reforçam que qualquer indício de ameaça, discurso extremista ou conteúdo ilegal deve ser denunciado imediatamente, contribuindo para a segurança de toda a comunidade.
(Com informações de Folha da Região)
(Foto: Reprodução/Freepik)