Startup brasileira – O uso de inteligência artificial no setor jurídico tem avançado rapidamente e começa a redesenhar a forma como empresas lidam com litígios. Esse movimento ganhou novo fôlego após a startup brasileira de tecnologia jurídica Enter anunciar uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões, elevando sua avaliação para US$ 1,2 bilhão e consolidando o status de “unicórnio”, termo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
Com sede em São Paulo, a empresa aposta em sistemas de IA capazes de automatizar todas as etapas de um processo judicial, especialmente em um ambiente como o brasileiro, marcado pelo alto volume de ações de consumo e trabalhistas. A proposta é substituir tarefas repetitivas e operacionais por agentes inteligentes que atuam desde o início até a conclusão dos casos.
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Automação integral e agentes de IA
A evolução dessas ferramentas está na capacidade de operar de forma quase autônoma. Segundo o cofundador e CEO Mateus Costa-Ribeiro, a tecnologia atua em todas as fases do processo.
“Cada etapa que você pode imaginar em um caso judicial é primeiro conduzida por um agente de IA antes de envolver um humano”, afirmou à Bloomberg.
Na prática, isso significa que sistemas baseados em IA conseguem elaborar peças jurídicas, calcular custos de acordos e até buscar dados específicos, como condições climáticas relacionadas a disputas, sem intervenção humana direta. Esse nível de automação tem potencial para reduzir significativamente o tempo de resolução dos casos.
Integração com sistemas e ganhos de eficiência
Outro fator relevante é a capacidade dessas soluções de se integrarem a infraestruturas tecnológicas já existentes nas empresas, muitas vezes consideradas antigas ou fragmentadas. Para isso, são utilizados engenheiros dedicados à adaptação dos sistemas, garantindo que a IA opere de forma eficiente dentro dos fluxos corporativos.
Esse modelo tem permitido lidar com grandes volumes de processos de forma mais ágil. Atualmente, a Enter já ultrapassou a marca de 300 mil casos gerenciados por ano, com muitos deles sendo resolvidos em dois a três meses, um prazo significativamente menor em comparação aos trâmites tradicionais.
Crescimento do mercado de IA jurídica
A expansão da inteligência artificial no direito não é um caso isolado. Uma nova geração de empresas focadas nesse segmento tem atraído investimentos robustos, refletindo o interesse crescente em soluções capazes de aumentar a produtividade e reduzir custos no setor.
Startups como Harvey e Legora também alcançaram avaliações bilionárias recentemente, enquanto desenvolvedoras como Anthropic PBC ampliam sua atuação em aplicações jurídicas. O cenário indica uma tendência de consolidação e competição em escala global.
Modelo de negócios e expansão
O modelo adotado combina cobrança antecipada pelo uso da tecnologia com remuneração atrelada ao sucesso dos processos, cerca de 30% da receita depende dos resultados obtidos. Esse formato reforça o alinhamento entre eficiência operacional e desempenho jurídico.
Com mais de 45 clientes, incluindo empresas de setores regulados como o bancário, a Enter planeja expandir suas operações para outras regiões, embora ainda não tenha detalhado quais mercados serão priorizados. A empresa também pretende ampliar sua equipe de cerca de 100 para 150 funcionários.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Magnific/deepart100)