Robô monge – Pesquisadores da Universidade de Kyoto apresentaram nesta semana um robô humanoide com inteligência artificial projetado para atuar como monge budista. Nomeado “Buddharoid”, o equipamento foi revelado em um templo no Japão, durante uma demonstração para jornalistas, como parte de um projeto voltado ao apoio de instituições religiosas em um país marcado pelo envelhecimento populacional.
De acordo com a universidade, o sistema foi treinado com textos budistas, o que permite ao robô responder a questões delicadas que muitas pessoas evitam compartilhar com outros humanos. A proposta também busca enfrentar a escassez de monges nos templos japoneses, oferecendo suporte em atividades religiosas no futuro.
LEIA: Renda média de R$ 3,7 mil em MS é suficiente apenas para o básico
O projeto é liderado por Seiji Kumagai, professor do Instituto para o Futuro da Sociedade Humana. O pesquisador já havia desenvolvido chatbots religiosos, como o Buddha Bot, com apoio de modelos de IA da OpenAI e de outras empresas do setor.
Na versão atual, o sistema “BuddhaBotPlus” foi instalado em um robô humanoide fabricado na China pela Unitree Robotics. O resultado é um monge robótico de pequeno porte, com duas pernas, capaz de caminhar e realizar movimentos semelhantes aos humanos.
Durante a apresentação, o robô apareceu sem rosto, vestindo uma túnica cinza simples. Ele uniu as mãos em posição de oração, caminhou diante dos repórteres e executou diferentes tarefas. Em um dos momentos, sentado em uma cadeira, ofereceu aconselhamento a uma jovem jornalista que relatou preocupação excessiva. Em tom grave e calmo, afirmou que o budismo ensina a não seguir cegamente os próprios pensamentos e sugeriu acalmar a mente e deixar as ideias se dissiparem.
Instrumentos religiosos baseados em inteligência artificial já são utilizados em diferentes tradições. Em Kyoto, por exemplo, já existe um robô sem IA chamado Mindar, que realiza sermões. Em outros países, robôs religiosos também já foram apresentados.
A universidade destacou que o uso adequado dessas tecnologias em ambientes religiosos ainda exige debates éticos. Ao mesmo tempo, apontou que o encolhimento e o envelhecimento da população japonesa pressionam o mercado de trabalho, criando espaço para a adoção de humanoides em atividades hoje tomadas por líderes religiosos.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a instituição afirmou que, no futuro, robôs humanoides com IA poderão auxiliar ou até assumir parte dos rituais tradicionalmente conduzidos por monges humanos, o que pode representar uma transformação significativa na cultura religiosa japonesa.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Divulgação/Universidade de Kyoto)